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Roteiro de 4 dias no Chile: Carnaval 2020

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Relato nesse post um roteiro de 4 dias no Chile, ideal pra encaixar o feriadão de Carnaval.

No último Carnaval escolhi o Chile pra aproveitar meus dias de folga do trabalho. Apesar das recentes manifestações e relatos de delinquência nas ruas da capital, eu tinha muita vontade de conhecer Santiago e região e o feriado de Carnaval, por ser o mais longo do ano, seria uma ótima oportunidade. Encontrei uma passagem com preço razoável, mais barato que ir pro Nordeste, e não pensei duas vezes: #partiu!

No finalzinho de 2018 estive rapidamente na capital chilena pra uma conexão, na ocasião de minha viagem pro Uruguai, quando me hospedei no centro e conheci o Cerro San Cristóbal e o centro da cidade – lugares que não voltei nessa segunda viagem.

Pra saber mais sobre o que fazer em Santiago numa conexão, clique aqui.

Optei por não ir ao centro por conta das manifestações. 5 em cada 5 chilenos que conhecemos nos recomendaram não ir. Assim como a maioria das cidades do mundo, é no centro que as pessoas se reúnem pra manifestar, e infelizmente também se reúnem os delinquentes e baderneiros: queimam automóveis, destroem prédios e tudo que veem pela frente. Como eu já conhecia a área e não queria correr esse risco, não fui.

COMO SAIR DO AEROPORTO DE SANTIAGO

Chegamos no Aeroporto de Santiago no sábado de Carnaval bem cedinho. Não contratamos transfer, na contramão do que todos os blogs sugeriam, e pedimos um Cabify no aeroporto, cuja diferença de preço foi absurda. 

Como não tínhamos chip internacional conectamos o Wi-Fi do aeroporto, pedimos o Cabify e falamos com o motorista, que nos orientou a ir pra área do edifício-garagem e esperar bem do lado do validador. Pra lá fomos e não tivemos qualquer problema com o serviço. A corrida do aeroporto pra Providência, bairro onde me hospedei, custou no câmbio de minha viagem R$75,00 (câmbio 185 pesos por R$1). Acabamos pagando no cartão de crédito, mas dava pra ter utilizado dinheiro em espécie, como faríamos em todas as outras corridas pra fugir do IOF.

CÂMBIO EM SANTIAGO

Por falar em câmbio, evite trocar dinheiro no aeroporto. Além de cobrarem US$1,50 de taxa por transação, a cotação é muito desfavorável. Pra terem ideia, no aeroporto estava 170 pesos por cada real, e nas casas de câmbio de perto do hotel 185. Já se for trocar dentro do Shopping Costanera, cai pra 180.

Não tivemos dificuldades em encontrar casas de câmbio nas ruas de Providencia, onde nos hospedamos, porém os horários são um pouco limitados pra quem chega na cidade aos finais de semana. Havia algumas casas de câmbio na Avenida El Bosque Norte e também na Calle San Sebastián, cujos preços eram idênticos. Achei arriscado deixar pra cambiar tudo dentro do Shopping Costanera, pois em duas ocasiões não tinham pesos disponíveis – o que achei bem bizarro.

Vale ressaltar que nossa viagem se deu em fevereiro de 2020, e que essa cotação varia bastante.

PRIMEIRO DIA: CONCHA Y TORO + SANTA RITA

Nos hospedamos no Plaza El Bosque Ebro, hotel bem avaliado e com localização ótima. Deixamos as malas, troquei de roupa e fomos tomar café na frente do hotel, num lugar chamado Castaño, que não recomendo. Funcionários antipáticos, pouquíssima variedade e tudo caro.

Com as baterias recarregadas conheceríamos duas vinícolas nesse dia: Concha y Toro e Santa Rita. Compramos os tickets dos tours ainda do Brasil, e por isso já tínhamos hora marcada. 

A primeira vinícola do dia foi a Concha y Toro, a mais famosa e grandiosa. Apesar de ter lido que trata-se de uma vinícola muito comercial, não senti isso durante minha visita. Fizemos um tour guiado e percorremos parte da vinícola a pé, passando pela casa de verão do primeiro proprietário da vinícola (atualmente local de trabalho da alta administração da empresa), diversos jardins, parreiral, adega, etc.

Roteiro de 4 dias no Chile: A viña Concha y Toro não pode ficar de fora
Concha y Toro
Concha y Toro
Tour Concha y Toro
Vinhedos chilenos

O destaque se deu para o parreiral, que por estarmos em fevereiro, era época de colheita de uvas. A colheita, em geral, se dá do período de fevereiro a maio, e os visitantes podem provar as uvas direto do pé – desde que não arranquem os cachos. 🙂  

Degustamos diversas variedades de uva e foi uma delícia! Passada a comilança seguimos pra degustação de vinhos: um branco e dois tintos. Dos vinhos que provei na degustação, gostei mais do branco, que nem é meu forte.

Seguimos pra área interna da vinícola, onde conheceríamos a lenda do Casillero del Diablo. O Chile é conhecido por ter terremotos frequentes, e há muitos anos teve um que causou muitos danos à cidade. Como a adega está localizada no subterrâneo da vinícola, o risco de sofrer danos era grande. Ao contrário do que previam, a adega não sofreu qualquer dano e saiu intacta. Daí, reza a lenda que quem protege a adega é o coisa-ruim rs. Não vou contar mais pra não soltar spoiler, mas o passeio é bem legalzinho!

Lenda do Casillero del Diablo

Após o tour fomos conhecer a lojinha da vinícola, que tem rótulos bem interessantes e de todos os preços possíveis. Há algumas promoções levando 3 garrafas, com bons rótulos a R$27. Têm um pouco mais baratos também. Caso goste de algum vinho, compre logo na lojinha e não no supermercado. O risco de não encontrar ou de ser mais caro é grande. 

Lojinha da vinícola

O segundo passeio do dia foi o tour guiado na vinícola Santa Rita, cujos ingressos também compramos antecipadamente. Com paisagens espetaculares e encravada aos pés da Cordilheira, já aviso de antemão que de todos esse foi o melhor tour. Tivemos a sorte de pegar um guia extremamente simpático, antenado e bem informado sobre o mundo dos vinhos, que nos ensinou muita coisa ao longo do passeio.

Vinícola Santa Rita
Vinícola Santa Rita

Nossa ideia era almoçar no restaurante da vinícola, mas como não tínhamos reserva não foi possível, pois a fila de espera estava grande e nosso tour tinha hora marcada. Resolvemos almoçar no café que tem lá, bem mais tranquilo, mas, por ser um café, com cardápio bastante reduzido.

Pedi um menu do dia, que consistia em quiche de salmão defumado, salada e uma sobremesa. Estava OK, mas o que eu queria mesmo era ter conhecido o restaurante.

Como ainda tínhamos um tempinho fomos conhecer o Museu Andino, que fica dentro da vinícola e tem entrada gratuita. O acervo consiste em milhares de peças arqueológicas de povos pré-colombianos que habitaram o Chile. O museu funciona de terça  a domingo, das 10:30 às 17:00h.

Após o museu seguimos para o tour, que se deu em português com um guia brasileiro. Percorremos os parreirais novamente, provamos mais uvas, visitamos as adegas e depois seguimos para a cata de degustação de 3 vinhos, que ele deixou repetir o que mais gostamos no final.

Vinhedos chilenos
Vinícolas chilenas

A cata foi excelente! O guia demonstrava muito domínio sobre o tema e era bem brincalhão, tornando a visita mais leve e agradável. Caso faça o tour na Santa Rita peça pra fazer com o guia Enoc. Vocês não vão se arrepender. 🙂

Vinícola Santa Rita

Depois fomos perambular pela lojinha e aproveitamos novamente pra comprar mais vinhos pra levar pra casa. 

Como já estávamos cansados fomos embora pro hotel, onde descansamos um pouco na área da piscina.

A área da piscina do hotel é muito convidativa, pois além de ser na cobertura, com vista pra cidade e pra Cordilheira, há uma música ambiente agradável como pano de fundo e o principal: a água é aquecida.

Piscina do hotel
A vista da área da piscina do Hotel

Ficamos por lá até o sol cair e depois só saímos pra jantar. Escolhemos o Restaurante Le Bistrot, na Santa Magdalena, 80, Patio del sol, ótimo lugar pra quem quer escolher onde jantar in loco, pois tem vários estabelecimentos bonitinhos, um do lado do outro. Recomendo que faça reserva antes.

Não vou me ater a descrever o que comemos, mas tenha em mente algo como 15 mil pesos por pessoa – com vinho e sem sobremesa – pra jantar. Em Santiago costuma-se acrescentar 10% de gorjeta, assim como no Brasil. 

SEGUNDO DIA: LA CHASCONA + MERCADÃO + PUEBLITO NOS DOMINICOS + SKY COSTANERA

O segundo dia de viagem seria dedicado ao litoral Valparaiso e Viña del Mar, mas acabamos desistindo por dois motivos: 1) a van da agência iria nos buscar por volta de 6:20 da manhã e não estávamos a fim de sair do hotel tão cedo, sem sequer tomar café da manhã; 2) haveria uma manifestação no destino, que confirmamos no dia seguinte no jornal com o saldo de 30 feridos e 40 carros destruídos. Deixamos pra lá.

Após a mudança de planos, nosso segundo dia foi inteiramente dedicado à Santiago, começando pela visita a La Chascona, a casa-museu de Pablo Neruda. Compramos o ingresso na hora e não tinha muita gente. A verdade é que a atração está localizada num bairro que tem acontecido muita manifestação e consequentemente tem espantado os visitantes (só ficamos sabendo disso depois, então perambulamos um bocado no bairro sem saber). A propósito, o bairro chama-se Bellavista e é uma delícia rs.

A casa-museu é muito interessante até pra quem nunca leu nada do célebre ganhador do prêmio Nobel de literatura. O tour inicia-se com um vídeo de apresentação da vida dele, e ao longo da visita percorremos diversos cômodos da casa escutando no audioguia muitas curiosidades de sua vida pessoal e também profissional. Eu, até visitar o museu, não sabia que ele tinha tido uma carreira política. Achei incrível a história dele, assim como a visita ao museu. OBS: Não é permitido tirar foto nas áreas internas do museu.

La Chascona
La Chascona

De lá fomos caminhando até o Pátio Bellavista, porque a propósito estávamos mesmo era procurando uma rede Wi-Fi pra pedir um uber e sair do museu. Foi quando nos deparamos com o Pátio Bellavista, lugar muito bonito e bacana de conhecer. É como um pequeno shopping a céu aberto, com diversos restaurantes, bares e muita cor. 🙂

Pátio Bellavista
Pátio Bellavista

Após perambular por ali fomos conhecer a zona central, onde fica o Mercado Central. Particularmente, se eu soubesse teria pulado essa atração, que pra mim foi a única ruim da viagem. Fomos tão assediados dentro do mercado que mal conseguíamos andar e olhar alguma coisa com calma. Logo que entrei já deu vontade de sair. Sinceramente? uma perda de tempo. Enquanto os garçons e funcionários do mercado não mudarem esse jeito até agressivo de assediar pra que sentem em seus estabelecimentos, não recomendo a visita. 

Saímos quase que imediatamente de lá e continuamos andando, dessa vez até outro mercado, de La Vega. Mercado nada turístico, muito mais cheio, enorme, mas sem opções convidativas de lugares pra comer. Deve ser bom somente pra quem mora em Santiago e vai lá fazer compras, pois os preços pareciam bons, mas tirando isso não. Mais uma vez: essa é facilmente uma atração que você pode pular.

Mercado de La Vega

Andamos também pelo bairro Lastarria, que mesmo sendo um domingo não havia muito movimento. Tinham algumas coisas de artesanato e antiguidades, mas nada que me enchesse os olhos. Curioso que eu havia lido muitos relatos positivos sobre o bairro, mas confesso que não me encantou.

Rua José Victorio Lastarria

Após muita caminhada voltamos pro bairro Bellavista, onde almoçaríamos no restaurante La Casa en el aire, dentro do Patio Bellavista. Optei por um salmão, que não estava ruim mas também nada demais. Entretanto, a ida valeu a pena pela limonada de coco, que estava perfeita. O ambiente também era uma gracinha. 🙂

Depois do almoço fomos para o Pueblito de los Dominicos, lugar que foi indicação do amigo que viajava comigo e que já conhecia Santiago. Trata-se de um enorme centro de artesanato com produtos típicos do Chile, com coisas muito exclusivas e bonitas e que está fora do burburinho turístico. Muito artesanato com madeira e lã, com produtos que não são encontrados no Brasil. Por ser enorme acabamos passando algumas horas lá, e ainda paramos pra lanchar. A lanchonete que paramos não era nada demais, mas deu pra passar o tempo e descansar as pernas. Ao término do passeio conectamos o wifi no centro de informações turísticas, pedimos o Uber e voltamos pro hotel pra tomar banho e sair de novo.

Pueblito de los Dominicos
Artesanato chileno
Artesanato chileno: Muitas coisas feitas de lã

A próxima atração foi o pôr do sol no Sky Costanera, o prédio mais alto da América Latina. Compramos as entradas na hora (15 mil pesos) e não pegamos fila. O ideal pra sua visita à atração ser perfeita é que se dê nos fins de tarde, pra ver a cidade do alto tanto de dia quanto de noite, em dias sem nuvens, porém preferencialmente que tenha chovido no dia anterior. A verdade é que Santiago é uma cidade muito poluída e muitas vezes há uma névoa no horizonte, atrapalhando a vista da Cordilheira, então quando chove essa poluição some um pouco. Apesar de não ter chovido nem um dia durante nossa estadia, a visita foi proveitosa e muito bacana. 🙂

O prédio possui 300 metros de altura e a vista do topo do mirante, no 62° piso, permite uma vista 360° da cidade, rapidamente alcançado num elevador the flash rs.

Santiago vista do alto
Sky Costanera
Pôr do sol do Sky Costanera
Pôr do sol no Chile

Achei a visita cara (R$81 no câmbio de nossa viagem), mas já estávamos lá e fomos, né? Ao ir, tenha em mente que se trata de uma atração carinha. Reza a lenda que às segundas a visita é gratuita, mas só fiquei sabendo disso depois. #ficaadica

Após o passeio fomos jantar no Signore, restaurante muito bem avaliado perto do nosso hotel, estrategicamente localizado quase em frente ao Shopping Costanera. Optamos por uma pizza, que estava bem gostosa. Após comer já estávamos mais pra lá do que pra cá de cansados então voltamos pro hotel pra descansar pro dia seguinte, que seria longo. 🙂

TERCEIRO DIA: CAJON DEL MAIPO – EMBALSE EL YESO

Nosso terceiro dia de passeios foi dedicado ao tour pra Cajon del Maipo, mais especificamente Embalse el Yeso, a aproximadamente 2:30 de Santiago. Esse seria o único dia que faríamos passeio com agência de turismo.

Essa atração reabriu recentemente, em janeiro de 2020, após vários meses fechado por causa de uma tragédia ocorrida no inverno 2019 com duas turistas brasileiras. Como é uma região montanhosa, super instável, duas turistas acabaram sofrendo um acidente fatal e faleceram. Depois de muitos meses fechado o acesso foi liberado e passou a ser permitida a circulação apenas com carro e com alguns poucos pontos de parada pra apreciar o lago e tirar foto.

No caminho percorremos a pé o Túnel Tinoco, antigo túnel ferroviário que foi desativado nos anos 80. Muitos mistérios rondam a história do túnel, onde um rapaz se suicidou no ano de 1998 por amor. O trajeto termina em aproximadamente 500m. A caminhada não é recomendada pra quem tem medo de escuro, pois é tudo completamente um breu.

Túnel Tinoco – Chile
Fim do Túnel Tinoco
Estradas que levam à região do Embalse El Yeso
Roteiro de 4 dias no Chile

Mesmo tendo ido no verão, com as estradas sem neve, achei o trajeto muito perigoso. Por esse motivo não recomendo, de forma alguma, que façam o passeio por conta própria (carro alugado). Os guias estão acostumados a frequentar o local, sabem pra onde ir, onde é permitido parar, etc. Sabem, inclusive, que o ideal na ida é dirigir na contra-mão, o que dá um certo desespero de vez em quando. Eles dirigem na contra-mão porque se rolar alguma pedra – o que pode acontecer com facilidade – a pedra não atinge diretamente o veículo. É muito importante atenção redobrada no trajeto, além de respeitar o limite de velocidade.

Apesar das observações, é um passeio muito lindo e imperdível de se fazer. Ver a Cordilheira tão de perto, a imensidão de suas montanhas, além do belo lago azul que se forma é um colírio para os olhos. 🙂

Foto do Embalse el Yeso sem filtro!
Embalse el Yeso – Chile
Embalse el Yeso
Embalse el Yeso – Chile
Cordilheira dos Andes – Chile

Seja inverno ou verão recomendo que vá com uma bota pra caminhada, além de um casaco corta-vento. A temperatura na região, mesmo no verão, é fria e o vento é bem forte. Além disso, não esqueça o protetor solar, pois como em todo lugar do Chile é um sol pra cada um rs. No local onde os veículos param pra fotos não há infraestrutura nenhuma de banheiro ou lugar pra comprar água, então sugiro que vá preparado. Na ida, como saímos muito cedo do hotel, o motorista parou numa loja de conveniência pra que pudéssemos comprar coisinhas pra levar na viagem.

Após apreciar a bela vista do lago paramos num ponto de apoio pra fazer um piquenique, organizado pela agência e já incluso no passeio. Havia bastante variedade de petiscos, frutas, salgadinhos e um vinho chileno pra brindar, claro. Achei muito bacana e nosso guia, Sebastian, era muito brincalhão e engraçado, o que tornou mais agradável ainda. Enquanto ele organizava a mesa do piquenique fomos conhecer uma pequena cachoeira que tem por ali, bem bonita.

Salto el Yeso
Piquenique aos pés da Cordilheira dos Andes
Note que mesmo no verão é possível ver focos de neve no topo das montanhas

Segundo o guia, o tempo na região é super instável. Mesmo com muito sol do nada o tempo muda, fecha e pode chover – e no inverno nevar. Ainda segundo ele, o ideal é fazer o passeio bem cedo e retornar pra Santiago ainda no início da tarde. De forma alguma deixe pra voltar quando já estiver escurecendo.

Pagamos 50 mil pesos pelo passeio, o casal, e fizemos com a agência Viajar Chile.

Após o piquenique retornamos a Santiago, onde curtiríamos um pouco o hotel antes de sair pra jantar. O escolhido da noite foi o Bar Liguria, em Providencia. Comi um sanduíche que estava muito bom, mas enorme. Facilmente daria pra comer duas pessoas. O preço era um pouco caro, como quase tudo em Santiago, mas isso vai ser assunto pro final do texto.

Bairro Providencia

Após uma cervejinha, fomos dormir que ainda teríamos mais passeio no dia seguinte.

QUARTO DIA: UNDURRAGA + SHOPPING COSTANERA

O quarto e último dia foi destinado a mais uma vinícola e ao Shopping Costanera.

Mais uma vez por conta própria, de Uber, fizemos o tour tradicional da Vinícola Undurraga, cujas entradas compramos antecipadamente. A vinícola é muito bonita, mas o grupo do tour era terrível. Na vinícola há opção de tour em espanhol e inglês, e se você entender inglês recomendo fortemente que opte por esse idioma. Nosso grupo era formado em totalidade por brasileiros, mas uma turma muito mal educada, que não dava a devida atenção à guia e tampouco ligava pras orientações que ela passava. O tour escolhido foi em espanhol, que por parecer mais com o português foi o idioma escolhido dessa turma – e havia bastante gente. Imagino que o tour em inglês deve ser bem mais reduzido e menos bagunçado, pela probabilidade menor de entendimento.

Vinícola Undurraga
Vinícola Undurraga
Vinícola Undurraga
Vinícola Undurraga
Vinhos Undurraga

Assim como nas outras vinícolas degustamos três vinhos, entre eles o tinto Carménère, que aproveito pra contar um pouco da história agora. A casta Carménère é originária da França, porém ainda no século XIX foi extinta por conta de uma praga nos parreirais. Julgada extinta, muitos anos depois foi redescoberta no Chile, pra onde já havia ido de forma desavisada e onde se adaptou facilmente ao clima e solo, fazendo do Chile, atualmente, o principal produtor do mundo. Por esse motivo, o vinho dessa uva é uma preciosidade e algo que os locais apreciam muito. 🙂

Carménère

Essa vinícola é menor que as demais, mas também muito bonita e de qualidade. Pena que pegamos um grupo ruim, porque tenho certeza que teria sido muito mais interessante. Ao contrário das demais, nessa não há um restaurante e os horários de Tours são bem mais limitados.

Pegamos um Uber pra retornar à Providencia, onde almoçaríamos na praça de alimentação do Shopping Costanera. Comemos num restaurante bem mais ou menos e fomos no Supermercado Jumbo fazer umas comprinhas – eis o motivo de eu ter ido ao shopping. Há uma variedade gigantesca de vinhos nesse supermercado, de todos os preços e tipos. Entretanto vi alguns com preços superiores aos das vinícolas. Aproveitei pra comprar pisco sour, bebida que rivaliza com o Peru no título de detentor da invenção. Como sou brasileira e não vou entrar nessa briga, eles que lutem enquanto eu bebo rs. Comprei também a geleia que costumo comprar no Brasil, St Dalfour, que nesse supermercado estava com preço bem interessante (R$15).

Pisco sour no Supermercado Jumbo

Após as comprinhas retornamos ao nosso hotel pra pegar as malas e partir pro aeroporto. Retornamos ao Brasil no último voo da terça-feira de Carnaval, pois na quarta-feira de cinzas eu já bateria meu ponto no trabalho ao meio-dia. Pro nosso azar, ao chegar no Brasil identificamos que um vinho quebrou dentro da nossa mala. Por esse motivo recomendo que leve plástico bolha ou bolsa protetora para vinhos, pois é quase certo que você trará uns pra casa. Além disso, possuíamos 6 taças, pois em cada tour das vinícolas ganhamos as taças da degustação, ou seja: mais vidro. Por sorte nossa única perda foi uma garrafa de Cabernet que havíamos comprado na Concha y Toro.

Como viajamos no verão nosso dia rendeu muito. Não fizemos nada, em nenhum dia, correndo. Tivemos sorte também de não pegar nenhum dia de chuva – pelo contrário: em Santiago, como já dito, tem um sol pra cada um. Apesar do sol insistente, a temperatura varia bastante. Mesmo no verão começava o dia bem friozinho, esquentava ao longo do dia e à noite era mais fresquinho. Caso você seja uma pessoa friorenta, recomendo levar um casaco na sua viagem – mesmo no verão.

Gostei muito de voltar a Santiago, que achei muito bonito, interessante e com atrações turísticas bem legais. 🙂 Adorei os passeios de vinícolas, aprendi bastante e tive experiências que ainda não tinha vivenciado, mesmo já tendo visitado outras vinícolas na vida. Quanto ao preço, achei quase tudo caro, até mais que São Paulo. Uma garrafinha de água mineral no supermercado custar R$5 é demais pra qualquer brasileiro rs.

Não me encantei com a comida, que achei bem normal. Infelizmente, de comidas locais, não tive oportunidade de provar a centolla, apenas o pastel choclo, que minha amiga pediu numa ocasião e nem curti muito. É uma espécie de escondidinho à base de milho com azeitonas, ovos e outras coisas misturadas. Eu, particularmente, não gostei muito – mesmo sendo fã de milho.

Outra coisa que não tive sorte foi com as empanadas, que não achei nada demais. A mais pedida no Chile costuma ser a de pino, que vem com carne, azeitona, cebola, etc. Eu, particularmente, não devo ter ido nos lugares certos tratando-se de empanadas.

Pastel choclo

Provei também o Bife a lo pobre, que é uma carne empanada servida com ovo, cebola e batata frita. Pode ser que seja bom (e até comum pra nós, brasileiros) mas o restaurante onde comi deixou a desejar.

Bife a lo Pobre

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar do movimento sociopolítico mais conturbado das últimas décadas, não vi muitas coisas degradadas na cidade (exceto centro, que conforme já dito não fui). Porém, conversando com os locais, nossa viagem se deu em época de férias dos chilenos, quando as manifestações estavam arrefecidas. No momento que escrevo esse post, em março, a situação já mudou bastante por conta do retorno dos chilenos à normalidade. Infelizmente, conversando com os chilenos, senti eles bem desanimados e desesperançosos.

O carro que utilizamos no passeio estava sem o vidro traseiro

O salário mínimo no Chile é cerca de R$ 1.715,70 (março/2020), o que pode parecer muito pros padrões brasileiros, mas com custo de vida surreal – especialmente alimentação.

Em linhas gerais, há um movimento de revolta por parte dos estudantes, que cobram educação de mais qualidade, assim como mais recursos. Já o cidadão comum exige redução nos preços já muito inflacionados de luz, água e tarifa de transporte público. Houve um excessivo aumento da desigualdade social no país, além de um atraso no sistema previdenciário, com contribuições para a aposentadoria feitas exclusivamente pelo empregado, não pelo empregador – sendo mais um dos motivos da revolta popular.

Apesar de achar justas as pautas para a manifestação, infelizmente muitos vândalos disfarçados de manifestantes se infiltram no meio da multidão apenas com o propósito de destruir e causar o caos. Se nem para o morador local isso é interessante, que dirá para o turista, que pisa em terras estranhas. Uma das consequências disso é a redução expressiva no número de turistas na cidade, para o desespero do micro e pequeno empresário que sobrevive disso.

Caso você tenha viagem marcada para o Chile, em vez de cancelar sua viagem adapte o roteiro. Eu, por exemplo, eliminaria a possibilidade de ir ao centro da cidade, muito menos de me hospedar por lá. Sugiro que acompanhe diariamente os noticiários e evite andar na rua com objetos de valor, pois há muitos relatos de furtos e assaltos. Minha amiga Di, do @historiasdadi, foi furtada recentemente dentro do Shopping Costanera. Eu consideraria fazer uma enotrip, focando em conhecer as vinícolas, que são bem afastadas do burburinho das manifestações. A meu ver, é a opção ideal para o momento.

Achei a cidade muito bonita, um pouco moderna, muito limpa, arborizada e com ruas impecáveis e sem buracos – além de um certo ar madrilenho rs. Quanto à segurança vale lembrar que eu estava viajando em grupo, o que deixa a viagem mais confortável nesse aspecto. Andamos bastante a pé, à noite, e não nos aconteceu nada, apesar de termos visto, uma única vez, uma cara encapuzado numa moto com os faróis apagados – o que achamos bem estranho. Em geral, em comparação às grandes cidades do Brasil, particularmente me senti mais segura.

Você deve está se perguntando se não soa incoerente falar todas essas coisas aqui, quando eu poderia abordar só coisas boas e positivas, como um roteiro, mas acho justo abrir o jogo e esclarecer alguns pontos antes da viagem acontecer.

Espero que eu tenha ajudado no planejamento da sua viagem! 🙂

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2 Comments

  1. Nilson Jr.
    09/03/2020 at 12:01 pm — Responder

    Tenho muita vontade de ir ao Chile, mas considero as condições atuais muito desfavoráveis. Medo!!!
    Outro dia encontrei um cidadão na academia com a camisa da Argentina, puxei conversa e ele me confessou que, apesar da camisa, achou Santiago mais bonita. Duvido! Mas fiquei com muita vontade de conferir.

    • 11/03/2020 at 8:03 pm — Responder

      Verdade, as condições atuais não são as melhores, infelizmente. Vamos torcer pra que as coisas se ajeitem logo né?

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