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Como é morar no Japão?

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Como muita gente tem curiosidade de saber como é morar no Japão e tudo que isso representa, convidei minha amiga Haruka, que já escreveu um post aqui pro blog, pra responder algumas perguntas sobre sua moradia do outro lado do mundo.

Ela é brasileira de nascimento e descendente direta de japoneses, e em 2018 resolveu trocar a zona de conforto de sua cidade natal pelo país nipônico. Junto com ela embarcaram nessa aventura o marido, Bruno, e suas duas filhinhas, ainda crianças.

morar no Japão
Como é morar no Japão

Ficou interessado em saber como isso aconteceu? Se a resposta for positiva, sugiro que leia esse post até o final, e caso haja dúvidas pode perguntar que – na medida do possível – ela vai responder. 🙂 

  • Com quanto tempo de antecedência você se planejou pra se mudar pro Japão?  

Planejamos com um ano de antecedência, principalmente porque os documentos como o Koseki (similar à nossa certidão familiar que é emitida no Japão) e o visto para residência (no caso para o Bruno, apenas) que por depender do cônsul, poderia ser que fosse mais difícil obter a liberação pelo fato dele não possuir cidadania ou descendência.

Entretanto, 1 ano foi o tempo certo e ideal! Como imaginamos, o koseki atrasou sete meses para chegar em São Paulo, por uma série de burocracias exigidas à agência que contratamos. Além desse entrave, o visto também atrasou cerca de 1 mês.

Emigrar para o Japão
Brasileiros no Japão 

  • Qual a moeda do Japão? Você considera uma moeda forte em poder de compra?

A moeda japonesa é o iene (¥). É uma moeda forte em poder de compra, um pouco inferior só ao dólar americano.

Comentário da Rafa: Confesso que mesmo sendo economista fiquei confusa com a questão cambial do iene e bati altos papos com a Haruka sobre o tema, o que me fez pesquisar mais. Para aprofundar um pouco e entender de forma mais clara sugiro que leia a matéria desse link.

A moeda pode ser representada pelos símbolos ¥ ou JPY ou ?.

Tóquio
Tokyo, Japão 

  • Como é o custo de vida?

O custo de vida no Japão dependerá muito da região. Tokyo, por exemplo, tem um custo de vida altíssimo, uma kitnet pequena pode sair por 100 mil iene ou mais (cerca de R$3500). Não é à toa que o país sempre marca presença na lista dos m² mais caros do mundo.

Por outro lado, em Yamanashi, por exemplo, o custo de vida é baixo, um imóvel com três quartos sai em torno de 50 mil ienes (R$1500), além de mercado, roupas e restaurantes serem mais em conta também.

O que fazer no Japão
Disney Tokyo

  • Como funciona a saúde no Japão?

A saúde no Japão funciona com um seguro de saúde do governo, onde se paga todo mês uma certa quantia, que não é alta e geralmente já vem descontada no salário, e que estende para a família da pessoa.

Com isso o governo se responsabiliza por 80% dos custos de qualquer consulta, procedimento médico e odontológico e a pessoa se responsabiliza por 20%.

Vale ressaltar que crianças até 15 anos não pagam nada, nem mesmo medicamentos. Outra curiosidade é que a pessoa pode usufruir de qualquer estabelecimento, seja governamental ou particular, que o seguro de saúde cobrirá igualmente.

Japão
Japão

  • E a educação para as crianças?

A educação funciona com a assistência da prefeitura da cidade onde a criança reside: ela terá responsabilidade pela criança, ofertando a vaga mediante preferência da mãe ou disponibilidade de entrada em determinada escola ou creche, sendo calculada a taxa de cobrança baseada no salário da família.

Se o salário for alto, a prefeitura cobrará um pouco mais (5 mil mais ou menos – em torno de R$100). 

Existem também escolas particulares no Japão, cuja mensalidade gira em torno de 40 mil ienes (30 mil de mensalidade + 10 mil de condução).

É obrigatória a entrada em escolinha primária com 6 anos de idade, antes disso a criança pode ficar em creches, que é bem diferente do Brasil: as creches possuem além das atividades de aprendizado, natação, apresentações para os pais em datas comemorativas e diversas atividades complementares.

  • Qual a maior dificuldade enfrentada até hoje nesse processo migratório?

A maior dificuldade tem sido a língua, que por morarmos longe dos destinos turísticos, encontramos uma cidade não tão bem preparada para receber estrangeiros.

Além desse problema, outra dificuldade está sendo encontrar vaga para as crianças em creche, já que estamos tendo que aguardar o início do ano letivo japonês, que é em abril, para que possam ter oferta de vagas.

Japão
Japão com crianças

  • Onde você mora e por que escolheu essa cidade?

Moro em Chuo-Shi (Yamanashi) e escolhemos por três motivos: sentimos que aqui teríamos mais apoio prático para solucionar os problemas burocráticos, queríamos estar próximos dos chefes do Bruno, e também pela qualidade de vida que Yamanashi oferece em relação às outras cidades do país.

Yamanashi
Parque das Frutas, em Yamanashi

  • Você ou sua família sentiram algum tipo de preconceito por serem imigrantes?

O Bruno não sentiu, pois estrangeiro com perfil norte americano é muito bem tratado, principalmente se ele falar algumas frases japonesas.

Por outro lado eu sinto o preconceito sim, ainda mais que sou japonesa na aparência e no papel (possuo cidadania). Apesar disso, como não domino bem o idioma acabo frustrando as expectativas dos locais. Por esse motivo, pelo menos por enquanto, prefiro dizer que sou “gaijin” (estrangeira), que eles tendem a tratar melhor e ajudar mais.  Na maioria das vezes acabo surpreendendo positivamente ao arranhar umas frases em japonês.

Comentário da Rafa: Outro fato interessante sobre preconceito é que conversando com uma grande amiga descendente que também já morou no Japão, ela disse que eles tendem a ter preconceito principalmente com os descendentes, e um dos motivos é o amor à pátria, que eles interpretam que quando o país está passando por um momento difícil (seja uma guerra ou uma grave crise) o cidadão não deve tentar a vida em outro local e sim tentar reerguer seu próprio país.

Por esse motivo, eles tem um pouco de preconceito com os japoneses que foram embora do país em tempos difíceis e estabeleceram a vida em outro local, e quando os descendentes destes retornam a fim de uma vida melhor.

Família
Família da Haruka

Bruno
Bruno, marido da Haruka

  • Como é a religião no Japão? Você estranhou?

A religião predominante é o budismo e o xintoísmo, mas não estranhei por ter convivido com meus familiares – sou filha de pai e mãe japoneses – que seguiam de certa forma ambas. Entretanto, a religião predominante na população estrangeira é o cristianismo-evangélico, e como sou, pra mim foi relativamente tranquilo encontrar uma igreja na minha região.

Religião japonesa
Religião no Japão

  • Como é a alimentação do dia a dia de vocês? Achou fácil a adaptação em relação a isso?

Nossa alimentação diária é caseira, com os mesmos temperos que eu utilizava no Brasil, porém aqui comemos bem menos carne e no lugar do feijão demos lugar à ervilha, apesar de ter tudo que você possa imaginar de alimentação brasileira nas lojas especializadas em produtos brasileiros, a qual tive a sorte de morar perto de duas.

Comida no Japão
Alimentação no Japão 

Alimentação no Japão
Comida no Japão 

  • Como funciona a contratação para trabalho no Japão? Igual no Brasil, onde geralmente se trabalha de segunda a sexta, 8h por dia?

A maioria dos trabalhos em fábrica são de 12 horas, porém a partir de 8 horas trabalhadas o restante se tornará horas extras. Aqui se paga por hora, uma média de 1350 ienes por hora de trabalho.

Há empresas que anunciam vagas de 6h, 8h, 12h. Vai depender da vaga que você está se candidatando, porém em fábrica geralmente são 12h.

Aqui também tem o sistema 4×2 ou 5×2 (quatro ou cinco dias trabalhados e dois de folga). E pode trabalhar intercalando entre turnos da manhã e noite. Trabalhando à noite se ganha mais.

Há feriados prolongados no Japão que são bem interessantes! Dia 27 de dezembro, por ex, meu esposo iniciará uma folga de dez dias, o que de certa forma compensa os dias de férias das pessoas, que são em média apenas 10 dias por ano. Se não me engano há mais dois feriadões como esse ao ano.

Viver no Japão
A vida no Japão 

  • É possível atuar na profissão de nível superior com o diploma emitido no Brasil?

É possível, principalmente se você já foi contratado por uma empresa pela sua formação acadêmica. Do contrário você pode conseguir um emprego que se interesse pela sua profissão, e eles – em conjunto com você – tem a chance de conseguir validar o diploma no consulado brasileiro local.

Algo que vale a pena ressaltar é a diferença salarial para mulheres. Enquanto no Brasil há essa diferença de forma velada, no Japão infelizmente ainda é mais escrachado: é comum você ver um anúncio de vaga, descrição de atividades similares e salários inferiores para mulheres tratando-se da mesma vaga.

Algo curioso também é que o salário para pessoas que tem formação superior não é muito maior que o dos operários, por exemplo. Não espere ganhar muito mais pelo fato de ter um diploma. 

E só pra fechar esse pensamento vale destacar que há muita diferença salarial entre regiões, sendo as grandes cidades com maiores salários, mas com custo de vida mais alto também.

Viver no Japão
A vida no Japão 

  • Que conselhos você gostaria de ter recebido antes de se mudar?

Que o Japão só te deixará exausto, apático e sem vida se você deixar. Não é o país ou as pessoas ao redor que nos tornam frias, mas sim nós mesmos se permitimos isso acontecer.

O país pode ser cheio de pessoas perfeccionistas e exigentes, mas vale a pena olhar isso pelo lado bom: Hiroshima, cidade que foi bombardeada e totalmente destruída na Guerra, se reergueu, poucas décadas se passaram e hoje é super desenvolvida, com trem-bala em pleno funcionamento e outras coisas que nos saltam os olhos.

Vale ressaltar que o Japão é detentor de um dos maiores IDH’s do mundo e que tem a maior expectativa de vida do planeta.

Temos que ser positivos sempre e ver o lado bom das coisas, deixando as críticas destrutivas de lado e tirando o máximo proveito de cada local ou experiência vivida 🙂 .

Brasileiros no Japão
Passeando em Tokyo

  • Do que você sente mais falta do Brasil?

Sinto falta dos amigos, dos familiares, do tacacá de toda sexta-feira, do “toró” – como carinhosamente chamamos as chuvas de Belém – da quantidade enorme de frutas em minha geladeira, da pizza regional e da escolinha da Carol, minha filhinha mais velha.

  • Cite, se possível, três aspectos positivos e três negativos da vida no Japão.

Positivos: Segurança, boa qualidade de vida e salário.

Negativos: Pessoas mais frias, inverno intenso e rigoroso e por último, ainda que temporário, a dificuldade para encontrar vaga em escola pública para as crianças.

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4 Comments

  1. 20/12/2018 at 9:52 am — Responder

    Morei dois anos no japao, voltei recentemente de la, mas o meu objetivo foi estudar pós graduação. A minha realidade foi muito diferente, morei na capital mas a benção é que morei em dormitórios que ajudou um pouco nos custos, mas o que a amiga Haruka falou e realmente tudo verdade ?

    • 20/12/2018 at 1:56 pm — Responder

      Oi Noemi! Se quiser compartilhar mais da sua experiência com os leitores será ótimo! Um abraço

  2. Adriana Yamanouchi
    02/06/2019 at 2:28 am — Responder

    Estou indo mas morrendo de medo

    • 08/06/2019 at 5:38 pm — Responder

      Oi Adriana! Fique com medo não. Pense positivo! Um abraço e sucesso

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