Onde ficar em Bento Gonçalves

O que fazer em Bento Gonçalves

Um dos lugares que eu mais tinha vontade de conhecer no Brasil consegui riscar da lista no último feriado: Serra Gaúcha. Um dos destinos foi a cidade do vinho, e na organização da viagem peguei muitas dicas sobre o que fazer em Bento Gonçalves no blog da amiga Lily, do Apaixonados por Viagens.

COMO CHEGAR

Saímos de Porto Alegre no sábado de manhã e havíamos feito uma reserva com a Hertz, mas acabamos chegando atrasados na locadora e perdemos a reserva.

Como era fim de semana de feriadão, não havia nenhum carro disponível e o pânico bateu. Até pensei em ir de ônibus pra Bento, pois claro que não desistiria da viagem, mas por um milagre surgiu um carro categoria super básico (1.0 e sem ar!) e demos graças a Deus por pelo menos esse rsrs. Por isso, seja muito pontual quando fizer uma reserva de veículo, principalmente se tiver um feriadão chegando, pois o risco de ficar sem carro algum é gigantesco.

Confesso que fiquei bastante em dúvida se alugava carro ou não, mas os altos preços praticados pelos tours que orcei em Bento me desanimaram e me fizeram optar pela locação. Claro que se você pretende encher a cara não é uma boa ideia ficar dirigindo por aí, e se não sabe se guiar também. A meu ver ter alugado carro nos deu muito mais independência com relação à programação e horários, sem precisar esperarmos por alguém ou seguir roteiros que muitas vezes não teríamos tanto interesse.

A estrada de Porto Alegre a Bento é super tranquila, apesar de ser um final de semana de feriado não pegamos trânsito. Achei a sinalização nas vias boas e em menos de 2h chegamos ao destino, que fica a 122 km de distância da capital.

ONDE FICAR

Logo ao chegar fomos deixar as malas no hotel e fazer check-in, e o hotel escolhido pra ser nossa casinha foi a Pousada Casa Tasca, que possui atendimento nota 10 e é a primeira pousada ecossustentável da cidade, sendo algumas das práticas adotadas por exemplo a utilização de painéis solares para aquecimento de água, reaproveitamento da água da chuva para regar plantas da horta, entre outras.

Matéria que saiu no jornal sobre a pousada

Matéria que saiu no jornal sobre a pousada

O QUE FAZER EM BENTO GONÇALVES

De lá partimos pra fazer o tour na Vinícola Casa Valduga, que sempre ouvi falar muito bem e está no TOP 10 da cidade no Trip Advisor e que tem uma infraestrutura excelente pro visitante. O plano até então era fazer o tour e em seguida almoçar no Restaurante Maria Valduga, mas acabamos fazendo o oposto por causa do horário de funcionamento do restaurante (até 15h).

Restaurante Maria Valduga

Restaurante Maria Valduga

O Maria Valduga funciona no sistema de valor fixo por um rodízio de massas e com direito a uma sobremesa (R$60/valores 2016). Além das massas, entradas, carnes e saladas integram o menu. Parece bobo e meu marido que não curte muito frango vai me matar quando ler isso, mas não deixem de comer o frango que servem no rodízio rsrs. Poderia ser apenas um frango sem graça, mas tem um temperinho e sabor indescritível. 🙂

Destaque alto também para a costela bovina que servem, do tipo que desmancha na boca de tão macia. Das massas as que mais gostei foi o penne quatro queijos e o spaghetti com alho e tomate seco divino. Lembrando que você pode repetir quantas vezes quiser caso goste de algum específico. Em geral eu daria uma nota 8 de 10 pro restaurante, perdendo ponto apenas na sopa de capeletti que servem de entrada que não gostei nem um pouco por achar super sem graça. A salada também achei ruim, por ser pouquíssimo variada.

Entradinhas

Entradinhas

Destaque alto para o ambiente, que conta com pianista, decoração linda e atendimento muito bom. Sempre que os garçons passavam à mesa perguntavam se tínhamos alguma preferência pra repetir e se estávamos gostando. Após me empanturrar de tanta comida, claro que sobrou espaço pra aprovadíssima panacota de frutas vermelhas de sobremesa. 🙂

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Agora sim, de estômago cheio, seguimos pro tour da Vinícola Valduga, que posso adiantar que adorei! Achei mega organizado, com o guia muito bem informado e preparado para atender às demandas do curioso público que estava comigo e sanar as mais diversas dúvidas dos visitantes. Isso tudo com uma boa pitada de senso de humor, o que deixou o passeio de aproximadamente 1 hora e meia ainda mais agradável e nada enfadonho.

Vinícola Casa Valduga

Vinícola Casa Valduga

O tour começa numa sala de vídeo com explicações sobre a chegada da família Valduga ao Brasil no final do século 19. Oriundos do norte da Itália, deram o pontapé inicial pra formação do que chamamos atualmente de Vale dos Vinhedos, produzindo vinhos também em outras regiões do Sul do Brasil. Com o tempo, e tendo em vista o potencial enoturístico do local, abriram também pousada pra quem quiser se hospedar lá. Já pensou que charme? 🙂

Vinícola Casa Valduga

Vinícola Casa Valduga

O tour custa R$40 por pessoa e inclui degustação de 2 vinhos tintos, 1 vinho branco e 2 espumantes, e também uma taça de cristal com a marca da casa gravada (eles embalam cuidadosamente pra levarmos na bagagem sem quebrar).

Entre tantas opções gratuitas no Vale dos Vinhedos, pagar R$40 pela visitação podemos achar um pouco estranho, mas ao conhecer a qualidade do passeio, o conhecimento do guia e as instalações do ambiente, concluo que vale muito a pena SIM. 🙂

Teve foto com as uvas SIM!

Teve foto com as uvas SIM!

Uvas no meio do vinhedo

Uvas no meio do vinhedo

Não sei vocês, mas tenho muita dificuldade em encontrar vinhos brasileiros bons nos supermercados. Questionei isso pro guia, e logo vi que minha objeção era a mesma de várias pessoas que estavam conosco. O guia disse que realmente os vinhos bons não chegam aos supermercados, e sim nas lojas especializadas em vinhos. Se quiser fazer umas comprinhas, ao término da visita podemos gastar uns bons reais na loja, que conta com as melhores opções para levar pra casa.

OBS: Durante o passeio gostei muito de um vinho tinto chamado Duetto e também de um espumante reserva chamado Blush.

De lá seguimos para conhecer a Casa Madeira, também do Grupo Valduga, localizada mesma rua, um pouquinho mais à frente. Chegando no local estava tendo degustação de geleias e gente, são muitas geleias pra degustar! rsrs. Mais uma vez notei que não chega aos supermercados sequer um terço do que eles vendem ali. Os preços também são ótimos e claro que aproveitei pra comprar umas pra levar pra casa. Paguei R$9,80 num pote de geleia de amora orgânica com pedaços da fruta que amei e achei muito barato. Destaque altíssimo também para a geleia de café: exótica e super saborosa.

Casa Madeira

Casa Madeira

Degustação de geleias e antepastos Casa Madeira

Degustação de geleias e antepastos Casa Madeira

Opa!

Opa!

Uma das minhas preferidas!

Uma das minhas preferidas!

Saindo da Casa Madeira ainda deu tempo de irmos pra Vinícola Miolo, mais especificamente para o Wine Garden, pra apreciar o fim da tarde e pôr do sol. Sem dúvidas imperdível pra quem quer relaxar em Bento Gonçalves, o Wine Garden funciona como um Wine Bar a céu aberto em meio a um gramado super verde, decorado, com boa música ambiente, clima agradável e com ótima infraestrutura pro visitante.

Miolo

Miolo

Não é permitido levar as próprias coisas pra fazer um piquenique no local, pois eles oferecem tudo (cadeiras, mesas, tapetes, toalhas, etc). Tem um wine truck no local com sanduíches, petiscos e vinhos em garrafa e em taça (Miolo, obviamente). Até quiosque para bolo de pote tem também, pedi um que amei, mas achei o preço super salgado (R$18). Tudo que é vendido ali é preparado com ingredientes da horta da Miolo, seguindo uma linha mais orgânica e de pequena produção.

OBS: Abre aos sábados, domingos e feriados das 10:30 às 20:00 (verão), se o tempo estiver favorável.

Wine Garden Miolo

Wine Garden Miolo

Na hora do pôr do sol subimos pros vinhedos e pudemos contemplar essa bela paisagem!

Na hora do pôr do sol subimos pros vinhedos e pudemos contemplar essa bela paisagem!

E teve selfie no meio dos vinhedos SIM! :)

E teve selfie no meio dos vinhedos SIM! 🙂

A noite caíra e demos uma pausa no passeio, pois meu marido não estava se sentindo muito bem e acabamos passando a noite curtindo o frio no hotel. (acho que ele comeu demais)

No dia seguinte o destino foi conhecer a Biscoiteria Itallinni, e lá é um daqueles lugares fofos que parece de boneca kkk. Passaria uma tarde lá degustando e conhecendo os diversos produtos caseiros que a casa oferece. Fui recepcionada por uma das donas, e pude provar todos (sim, todos!) os biscoitos que a casa vende.

Confesso que gostei de quase todos, mas dois em especial me fizeram querer estender um pouquinho mais o contato e levar pra casa rsrs. Coloquei na sacolinha o de limão e o de nozes, que são de comer rezando. Aquele tipo de biscoito sem sabor artificial, sabe? Sem contar que derrete na boca e é impossível comer um só. O preço não é lá dos mais baratos, mas pelo menos esses dois que comprei valeram cada centavo. 🙂

Biscoiteria Itallinni

Biscoiteria Itallinni

A Itallinni é um ótimo lugar pra comprar presentinho pra alguém, porque é tudo muito bem preparado e bem embalado, num estilo bastante convidativo.

Biscoiteria Itallinni (esse de limão é divino!)

Biscoiteria Itallinni (esse de limão é divino!)

De lá rumamos pra passear pelos Caminhos de Pedra, ponto alto também da visita a Bento. Lá você encontrará de tudo: belas paisagens, jardins floridos de hortênsias (viva a primavera!), restaurantes, lojas de artesanato, diversas construções em estilo rústico – muitas em pedra mesmo, assim como pontos bons de conhecer, como a Casa da Erva-Mate e a Casa da Ovelha, que visitamos nessa ocasião.

Casa da erva-mate

Casa da erva-mate

Se você, assim como eu, nunca tomou chimarrão na vida, sua hora chegou. Além de poder conhecer o processo produtivo da famosa erva-mate, você poderá aprender e degustar um pouquinho desse líquido precioso dos gaúchos. Inclusive conhecer algumas regras de etiqueta de como se deve tomar rsrs. Como por exemplo, nunca dê apenas um gole no chimarrão, beba tudo, “até a cuia roncar” e passe adiante. E nunca, nunca reclame que acha anti-higiênico.

Curiosidade: Vocês sabiam que os primeiros povos a usufruirem da erva-mate foram os índios guaranis e os índios caingangues, que habitavam em geral a região Sul do Brasil? O hábito de compartilhar a cuia também é indígena, seguindo alguns rituais.

Na ocasião eu realmente não sabia como era, e confesso que me assustei um pouco com a ideia de termos que compartilhar o canudo, denominado bomba, com outras pessoas que não conhecemos. Mas viajar é isso: conhecer a cultura local, respirar fundo e seguir em frente! hahaha. OBS: Até que eu gostei do tal do chimarrão. Não pra ficar bebendo toda hora como eles, mas é uma opção boa pra esquentar os dias mais friozinhos. Paga-se o valor simbólico de R$1 pra visitar a Casa da Erva-mate.

Vocês vão ter que me perdoar, mas só depois me dei conta que não tirei foto do chimarrão!

De lá fomos pra Casa da Ovelha, onde funciona o Parque da Ovelha, e acho que deve ser maravilhoso principalmente pra quem viaja com crianças. Um “presente” pras crianças depois de acompanhar os pais nas vinícolas né? rsrs. Eles tem uma programação extensa com atividades o dia todo, entre elas: amamentação de filhotes de ovelhas, ordenha, tosa, degustação de produtos (iogurtes, sucos – o de mirtillo é muito bom – , queijos diversos, doce de leite), etc.

Dos produtos que mais gostei, destaco o queijo  pecorino toscano de 270 dias de maturação e o doce de leite de ovelha, que foge um pouco do padrão do doce de leite super doce.

OBS: Todos os queijos vendidos no local são pecorinos, então se você não é fã de queijo de ovelha provavelmente não vai gostar (eu amo, então amei.) 🙂 Ingresso de adulto da Casa da Ovelha: R$50 (valores de outubro/2017).

Casa da Ovelha (impossível tirar foto sem ninguém na frente...)

Casa da Ovelha (impossível tirar foto sem ninguém na frente…)

O que fazer em Bento Gonçalves: Caminhos de Pedra

O que fazer em Bento Gonçalves: Caminhos de Pedra

Visitamos alguns outros lugares que achávamos bonitinho e parávamos pra apreciar e tirar foto. Mas em geral os pontos altos da nossa viagem pra Bento foram esses citados no post. Eu até incluiria mais vinícolas no roteiro, como a Lidio Carraro (que li em três blogs críticas bem positivas) mas quando cheguei pra visitar já estava fechada. Então, se você visitar volte aqui pra me contar!

Caso esteja o orçamento um pouco apertado, tem várias opções de vinícolas gratuitas, como a Chandon e a Aurora. 🙂

Um beijo!

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