O que fazer em Recife

O que fazer em Recife e Olinda num final de semana

Recebi uma amiga italiana em casa e ela queria muito conhecer alguma cidade histórica no Brasil. Como estávamos em Natal e pretendíamos fazer o trajeto de carro, fizemos uma trip envolvendo Pipa, Recife e João Pessoa. O lugar histórico nesse caso foi a capital pernambucana, e já alertamos de antemão que o objetivo do post é dar sugestões sobre o que fazer em Recife e Olinda exceto praias, que não foi nosso foco.

DIA 1

Estávamos em Pipa e seguimos pra Recife, numa viagem que durou aproximadamente 4h, pois pegamos um pouco de trânsito na entrada da cidade. Nem fomos fazer o check-in, pois o caminho que o GPS indicava complicou nossa vida: não sabíamos chegar ao hotel senão pelo caminho informado pelo GPS, e ele estava mandando entrarmos em vias que eram contra-mão. Bizarro. Desisti de fazer check-in naquele momento pois já estávamos bem irritados e partimos pro centro histórico da cidade, onde fica o marco zero, pra perambular por lá e esfriar a cabeça. 🙂

Achei que fosse ruim achar vaga pra estacionar o carro, mas foi tranquilo. Estacionamos no estacionamento dos armazéns do porto (R$6) e saímos pra passear. O armazém do porto é uma zona gastronômica, com muitas opções de restaurantes na beira mar. Lembra um pouquinho Puerto Madero, na Argentina, ou para quem conhece Belém, a Estação das Docas (ainda que de forma mais simples). Chegamos no local mais ou menos no horário do pôr do sol, e ficamos ali admirando o sol cair e infelizmente não pudemos fazer a travessia de barco que possibilitaria ver as esculturas do artista Brennand, que ficam bem ali pertinho, do outro lado (não fazem travessia à noite).

Tiramos fotos clichês no marco zero e no letreiro de Recife, e nos deparamos com a Caixa Cultural, e PASMEM, na semana seguinte começaria a exposição Êxodos, de Sebastião Salgado. Já fui em duas exposições dele e cada ida vale a pena! Minha amiga italiana pirou porque não estaria mais no Brasil na semana seguinte.

Armazém do Porto

Armazém do Porto

Marco Zero

Marco Zero

Resolvemos entrar no Centro de Artesanato de Pernambuco que tem ao lado do Marco Zero e fiquei apaixonada! Quanta coisa linda e bem feita, muitos a preços super acessíveis (outros nem tanto) de mais de 500 artistas do Estado. Arte em madeira, porcelana, tapeçaria, louças, esculturas, souvenirs clichês… de tudo tem por lá. Minha amiga comprou uma escultura linda por apenas R$40. Ótimo lugar pra comprar artigos de decoração, principalmente pra quem valoriza a cultura local. Eles tem todo cuidado com a embalagem pra que nada se quebre no retorno pra casa. 🙂

Não é linda? Me arrependi de não ter comprado!

Não é linda? Me arrependi de não ter comprado!

De lá ouvimos um batuque forte vindo da rua do lado e fomos surpreendidos por um ensaio de rua de Maracatu, ritmo musical típico de Pernambuco que faz remexer os esqueletos mais travados rs. Nunca tinha visto um ensaio de Maracatu de raiz, e gastei um bom tempo assistindo aquilo que pareciam levar tão à serio e em ritmo tão sincronizado e intenso. Adorei! Depois, curiosa como sou, descobri que vão rolar ensaios abertos de agosto até o carnaval de 2017, sempre aos domingos, no Marco Zero (a partir das 15h). Uma ótima oportunidade de conhecer o ritmo que duela com o frevo na disputa do mais conhecido ritmo musical do Estado.

Já era noite, tentamos entrar no Paço do Frevo mas já estava fechado, Voltaríamos no dia seguinte. A missão agora era encontrar o hotel.

ALERTA: Conseguimos chegar no hotel pelo caminho dado pelo GPS, mas acabamos entrando numa via exclusiva de ônibus (BRT) e por sorte não chegou multa nenhuma em minha casa rs. Logo que fiz o check-in comentei com a recepcionista do hotel e ela nos aconselhou a não utilizar o GPS na cidade, pois mudaram muitas rotas recentemente e o GPS não acompanhou as mudanças. Ela tem ouvido muitos comentários semelhantes ao nosso ultimamente.

Após descansar  um pouquinho no novíssimo Beach Class, saímos pra jantar com minha prima, que graças a Deus salvou o resto da nossa viagem e não nos deixou dirigir mais kkk. Fomos jantar no Parraxaxá de Boa Viagem, restaurante que meu marido já conhecia e que havia gostado numa viagem anterior. Trata-se de um alegre restaurante com forró pé de serra ao vivo e muita comida típica nordestina ao estilo self-service ou à la carte. Entre caipirinhas, carnes de sol e forró pé de serra, finalizei rolando com a mais típica sobremesa pernambucana: cartola (amo de paixão!).

Parraxaxa Boa Viagem

Parraxaxa Boa Viagem

E quem disse que fomos embora pro hotel? Ainda fomos passear pela famosérrima orla de Boa Viagem, de início ao fim, e aí sim fomos dormir porque no outro dia ainda teríamos OLINDA! 🙂

O que fazer em Recife e Olinda: Dia 2

Nosso foco no segundo dia de viagem era conhecer Olinda e voltar ao Paço do Frevo. Fomos de carro pra Olinda e a primeira parada foi exatamente o Centro Histórico, onde estão as atrações da cidade. Estacionamos na Basílica de São Bento e gastamos um tempinho por lá, admirando o imponente altar em estilo barroco com arte em madeira e revestido com 28 kg de ouro. Considerada a igreja mais rica da cidade, o mosteiro da igreja foi destruído pelos holandeses, e teve sua reconstrução finalizada em 1759, já com o estilo Barroco. A título de curiosidade, abrigou durante 24 anos a primeira Escola de Direito do Brasil, fundada em 1811.

Basílica de São Bento

Basílica de São Bento

Altar em estilo barroco

Altar em estilo barroco

De lá rumamos pro Alto da Sé, e dei graças a Deus porque estávamos de carro…kkkk. Gente, quanta ladeira! Me lembrou muito o centro de Lisboa, inclusive na arquitetura das casas e das ruas, cheias de paralelepípedos. Igrejas parecidas com as de Lisboa também não faltaram, inclusive a Sé, nossa próxima parada. Com uma diferença: do alto da Sé de Olinda têm-se uma vista deslumbrante! Cenário muito parecido também com as cidades históricas mineiras, mas com um marzão azul de babar!

Vista deslumbrante do Alto da Sé!

Vista deslumbrante do Alto da Sé!

Igreja da Sé

Igreja da Sé

A Igreja também possui estilo barroco e interior bem mais modesto que a de São Bento, e li que sofreu muito com a invasão dos holandeses, tendo que ser reerguida após a expulsão desses. Ao redor da igreja têm dezenas de pessoas trabalhando com artesanato e muitas opções de restaurantes e lanchonetes bonitinhas. Lá também está o Elevador Panorâmico, em que se pode ter uma vista de 360 graus da cidade a um custo de R$5 (valores de 2016).

Paisagens lindas vistas de Olinda!

Paisagens lindas vistas de Olinda!

De lá seguimos andando (haja canela!) pra visitar o Mercado da Ribeira e poder ver de perto os originais bonecos de Olinda, que ficam ali pra exposição. O mercado tem formato de U, tendo nas laterais diversos box com artesanatos locais. Encontrei um artesão bem legal, que fazia arte no palito de fósforo. A entrada no Mercado é gratuita e você pode contribuir com a manutenção do local apenas se quiser, pois acho que eles não tem ajuda da prefeitura – e erroneamente nem é rota muito turística. Achei legal visitar o local pois como nunca fui no carnaval de Olinda, pude ver de perto o tamanho dos bonecos e a famosa cabeça do galo da madrugada. Gigante! rs.

OBS: Curiosamente dizem que antigamente os boxs serviam como local pra venda de escravos, não sei se é verdade ou se falam apenas pra chamar atenção de turistas.

Arte no palito

Arte no palito

Bonecos de Olinda

Bonecos de Olinda

Galo da Madrugada

Galo da Madrugada

A próxima parada foi o Convento de São Francisco, lugar lindinho e imperdível de conhecer. Construído em 1585, sendo o primeiro estabelecimento franciscano do país, a visita ao local divide-se em várias partes, entre igrejas e capelas. A que mais gostei de conhecer foi a Capela de Santana, com laterais todas revestidas em azulejos portugueses que retratam a vida e morte de São Francisco de Assis. Lindo!

OBS: Paga-se R$3 pra entrar.

Convento de São Francisco

Convento de São Francisco

Lindo, né?

Lindo, né?

Depois de tanto descer e subir ladeira, a fome batera…rs. Deixamos Olinda com a sensação de mais um lugarzinho lindo riscado da lista. Rumamos pra badalada Boa Viagem pra almoçar em um dos muitos restaurantes do local, e escolhemos o elegante Camarada Camarão, e fizemos ótima escolha, pois tudo que pedimos estava maravilhoso. Impossível não lembrar do camarão na moranga que pedimos, com manteiga do sertão, molho cremoso de jerimum, catupiry e lascas de coco, gratinados com queijo coalho. Prato na casa dos três dígitos, mas que serviu nós três (o ideal é pedir uma entradinha pra complementar).

De lá, como já havíamos dito, fomos pro Paço do Frevo, centro histórico novamente. Museu dedicado à difusão, pesquisa e formação do frevo. História do ritmo em imagens e sons, tudo pra não tornar a visita cansativa. Exposição de roupas e fotos de carnavais complementam a visita. Gostei muito do dicionário interativo, em que vemos uma palavra e rodamos a madeira e atrás está o significado. Muito legal! O museu é moderno e muito bem cuidado. Valeu a pena a visita!

OBS: R$8 a entrada, sendo que estudantes de escola e universidade pública não pagam ingresso e clientes Itaú pagam meia.

O que fazer em Recife e Olinda: Paço do Frevo

O que fazer em Recife e Olinda: Paço do Frevo

OBS: Fiquem atentos ao estacionar nas redondezas do Paço do Frevo. Apesar de ser uma região movimentada durante o dia, os flanelinhas extorquem dinheiro das pessoas cobrando R$20 pra estacionar na RUA. Na ocasião discutimos com o flanelinha e só demos R$5 pra ele rs e olhe lá.

Nossa visita à capital pernambucana chegara ao fim. Infelizmente não foi dessa vez que conheci Porto de Galinhas, mas como eu disse no início do post o foco nessa viagem era conhecer lugares históricos, não praia. Gostei muito de Recife, que achei gigante em relação à pequenina Natal e com muito mais coisas pra ver. Diferenças sociais também são mais vistas, com favelas de um lado, bairro nobre de outro… Quanto ao trânsito, que todo mundo reclama, não achei tão carregado, talvez por ter ido num final de semana. Mas achei a cidade BEM confusa pra dirigir e fiquei em pânico por diversas vezes com o GPS…rs.

Se tivesse mais tempo, incluiria na viagem uma visita ao Instituto Brennand, museu em estilo medieval que tem um acervo enorme de obras de arte, esculturas, etc.

E vocês? O que acharam de Recife?