Imigração em Dublin

Intercâmbio em Dublin, Irlanda

Minha empolgação pra falar desse tema não tem limites. A experiência de um intercâmbio de inglês é extremamente válida para quem quer aprender e aperfeiçoar o idioma. Eu já havia estudado inglês no Brasil por alguns anos, mas mesmo assim ainda me sentia um pouco insegura, porém é extremamente necessário sair da zona de conforto e das aulas tradicionais lecionadas no Brasil e encarar algo além.

Eu sempre quis me testar, quis mais. Sempre tive a ideia de fazer um intercâmbio, foi quando conheci a STB (na verdade eu já conhecia, pois tinha uma agência pertinho do meu antigo trabalho, em Alphaville). Troquei e-mails com a Ariadne, funcionária STB, que tirou todas minhas dúvidas e me ofereceu algumas propostas. Eu já tinha pesquisado também em outras agências de intercâmbio, mas não me sentia segura por serem empresas menores. Pra quem não sabe, a STB é uma gigante do mundo do intercâmbio. A Ariadne me ofereceu algumas escolas que eu não conhecia, a única boa referência que eu tinha era da CES School, escola que um amigo estudou e falou muitíssimo bem. Então bati o pé e decidi que era lá que eu queria estudar.

Como eu moro em Madrid, precisei fazer a intermediação toda a distância. Assinei contrato, mandei digitalizado, paguei uma parte via transferência bancária e outra por cartão de crédito, e confesso que a seriedade que a empresa me passou não me deixou insegura de realizar tais procedimentos mesmo a distância. Passado alguns meses, realmente não tive problema algum quanto a isso. Fui cobrada devidamente da forma acertada em contrato.

Aproximadamente 7 dias após fechar contrato recebi a aceitação da escola e meus dados para acessar o aluno on-line, onde pude fazer exercícios e estudar pela plataforma virtual antes mesmo de embarcar. Lá também tem todas as informações que você precisa sobre Dublin, sobre o curso e sobre atividades sociais programadas pela CES.

Como eu já tinha viagem programada pra Alemanha em novembro, não pude ficar mais tempo do que gostaria no intercâmbio, precisei voltar para viajar para a Alemanha, Áustria, República Tcheca e Hungria (depois volto pra contar sobre cada trip pra vocês!). Meu curso só teve a duração de duas semanas, com a aula iniciando na segunda-feira.

Imigração em Dublin

Num frio sábado de outono desembarquei em Dublin, sozinha, somente com uma mega mochila pesada nas costas, uma alma ansiosa e com uma pastinha pra apresentar pra imigração minha papelada. E assim foi.

Já viajei pra alguns países que precisei passar pela imigração: Minha primeira entrada na Espanha, Estados Unidos, Inglaterra, porém os agentes nunca me encheram de perguntas e tampouco pediram pra eu apresentar qualquer documento – talvez porque eu estava sempre acompanhada de alguém, e não sozinha como na Irlanda.

O intercâmbio em Dublin começara ali, bem na imigração. “O que você veio fazer em Dublin?”, “Quanto tempo vai ficar?”, “Vai estudar em que escola?”, “Poderia me apresentar a carta da escola e comprovante de matrícula?”. Sim, poderia. Respondi tentando disfarçar o nervosismo tudo o que ele me perguntou, e apresentei os documentos solicitados. Passaporte carimbado e eu acabara de ganhar meu visto de permanência em Dublin por 3 meses.

Por isso recomendo fortemente que não esqueçam qualquer documento que seja, pois pode ser que eles peçam, principalmente se você estiver viajando só. Comprovante de matrícula da escola, carta de autorização da escola, comprovante de estadia (hotel, albergue ou casa de família), passagem de volta, seguro de saúde, e € suficiente para se manter durante o período de permanência.

Passado esse momento de tensão, fui rumo ao hostel que eu escolhi para me hospedar: Times Hostels Camden Place. Seria minha primeira experiência em um quarto compartilhado de hostel. Escolhi um quarto feminino e pude dizer que dei muita sorte com minhas colegas de quarto. 🙂 Mas depois eu volto aqui pra contar sobre o hostel, vamos logo ao que interessa. 🙂

INTERCÂMBIO EM DUBLIN – EXPERIÊNCIA COM A CES SCHOOL

CES School

CES School, unidade da Dame Street

Primeiro dia de aula, escola cheia e todo mundo exalando timidez. Alguns bem poucos com cara de brasileiro, umas senhoras, adolescentes, meninas de burca, chineses, japoneses. Difícil era identificar quem era quem no meio da multidão.

Logo ao chegar, fui direcionada para a sala de lazer, onde fica a cantina, vários sofás, mesas, cadeiras, televisão e até PS4. Mas o clima não era de lazer, era de ansiedade. O diretor da escola super bem humorado se apresentou, nos apresentou a escola e o método, falou um pouquinho sobre como funcionam e nos aplicou uma prova de nivelamento para saber para qual sala iríamos, que deveríamos finalizar em até 1h. Foram aproximadamente 40 questões (ou 50?) – não lembro exatamente, mas menos que isso não era.

Passado um tempo, nos encaminharam para uma sala enquanto aguardávamos o resultado. Uns socializaram, outros não. Uns franceses se encontraram e começaram a bater papo in french e logo os tutores que passavam chamaram atenção e disseram que não era permitido conversar em outro idioma. Ponto pra eles, já me ganharam. Afinal, isso era uma coisa que eu temia (conhecer vários brasileiros e inevitavelmente ficar conversando em português com eles).

Após algum tempo de espera, uma funcionária veio e chamou nome por nome e nos entregou um cartão, que seria nosso cartão de estudante (daqueles que nos faz pagar meia entrada! 🙂 ) e logo embaixo o nível que nos encontrávamos.

Meia horinha depois, eu já estava na sala de aula. Minha sala tinha 10 pessoas, entre eles um espanhol, um brasileiro, dois italianos, duas coreanas, uma japonesa, uma chinesa e uma brasileira, que chegaria na semana posterior. Minha professora era a Laura, uma nativa de Dublin. Como descrevê-la? Tem gente que nasce pra lecionar, e ela nasceu pra isso. Simpática, alegre, bem humorada e motivadora. Na aula dela falávamos sem parar, porque ela nos incentivava. Logo no primeiro dia tivemos que fazer uma mega apresentação sobre si, bastante demorada. Nada de dizer só o nome e idade, ela queria saber TUDO e nos forçar a destravar. E cada um foi destravando aos poucos e deixando a timidez de lado…

Algumas horas depois uma pausa de 20 minutinhos e a troca de professores. A outra também era irlandesa e também muito bacana, apesar de não ser tão maravilhosa quanto a Laura (mas também muito boa!). Ela também era muito competente em lecionar, mas às vezes ficava muito chateada quando alguém se atrasava pra aula dela (tudo bem, ela está certa, eu sei).

Os dias foram passando e já não existia timidez. Tínhamos 4h de aula pela manhã e mais 2h à tarde. Era uma carga horária puxada, com lições de casa diariamente. Difícil era deixar a luz do quarto do hostel acesa à noite pra eu poder estudar. Mas nada que boa vontade, determinação e uma lanterna não resolvam. 🙂

As aulas da tarde eram 100% conversação, meu professor também era irlandês e excelente. A turma era composta basicamente por 3 árabes, um italiano, um romano (quem nasce em Roma é romano, não italiano, sabiam? rs), e mais alguns da minha turma da manhã. Era o tipo de aula que nos fazia pensar e nos auto-corrigir. Recomendadíssimo para quem tem pouco tempo na cidade (pouco tempo eu consideraria até 8 semanas). Pague um pouquinho a mais e faça as aulas da tarde.

Dica: Procure fechar tudo na sua agência ainda do Brasil. A aula da tarde eu paguei em euro, diretamente à CES (62€/semana). Depois pesquisei e vi que sairia mais barato se eu tivesse fechado direto com a STB. Como eu não tinha tempo livre pra contactar a STB e fazer a transação, fechei com a CES mesmo, mas o importante é que valeu a pena.

OBS: Para quem tem curiosidade em saber quanto custou meu curso de duas semanas (FORA aulas da tarde), paguei R$1.842,32 (valores de 2014 – sujeito à variação cambial). Além do pagamento do curso, tive que pagar o livro direto na escola, que custou 32,00€. O livro varia de acordo com o nível,  o meu era o LIFE do intermediário.

Horário das aulas: Manhã de 9:00h à 13:00h (segunda à sexta) e à tarde das 14:00h às 16:00h (terça à quinta).

Como assim só uma hora pro almoço? Sim, era bem corrido. Geralmente comíamos na cantina da escola uma baguete com alguma coisa e só. Comida mesmo, nem pensar. Além de ser caro, não daria tempo, pois em Dublin não é NADA comum comidas do tipo self-service em restaurantes, como no Brasil. Eu costumava gastar em média por “almoço” 4,00€.

Acredito que além de sorte de pegar uma boa escola com bons professores, você tem que ter a sorte de encontrar uma boa turma, e a minha era simplesmente maravilhosa!. Fiz amigos que parece que nos conhecíamos há séculos, tamanha afeição e afinidade. Costumávamos sair todos os dias, nem que fosse pra tomar um chocolate quente na esquina. E isso enriquece a sua vida, não só o seu idioma. Abre a sua mente. Faz ver o mundo de forma diferente. Não que os brasileiros não sejam interessantes, SÃO, mas experimente bater papo com uma japonesa (my friend, Tomoko Tsuzuki S2) e você verá a diferença. Questões culturais, sotaque, vida, tudo nos instiga mais e torna mais interessante, pois é diferente. Ficamos bastante amigas e justamente no dia que publico esse post, ela está chegando aqui em Madrid pra comemorar o réveillon comigo! 🙂

Outras boas amizades fiz com duas coreanas, da Coreia do Sul. Quanta diferença cultural, gente!. E como eu me atraio por isso, achei fantástico. Encontrei muitas e muitas coisas em comum com minhas amigas italianas, e quanta afinidade! Elena Callegaro e Valentina, como foi bom cada minuto com elas. Descobri que temos muito mais semelhanças com a Itália do que imaginamos (principalmente nas questões negativas). Apesar de achar a Itália um país fantástico, não é à toa que só esse ano fui 2 vezes pra lá, eles são um Brasil melhorado. Em muitas conversas com minhas amigas pude ver que eles também têm uma série de problemas que pra nós também é bastante familiar: corrupção, insegurança em alguns locais, máfia, etc.

Intercâmbio não é só a sala de aula, é um conjunto de experiências que você vai ter se estiver aberto pra isso. Eu diariamente ia às aulas, depois saía com os amigos da escola e depois ia pro hostel – conversar com minhas colegas de quarto e às vezes dar uma voltinha com elas. Totalmente imersão, até porque as meninas que passaram pelo meu quarto durante minha estadia foram duas americanas, uma canadense, uma austríaca, uma francesa e uma italiana. Zero português. Confesso que me dei muito mais com a austríaca, e inclusive mês passado durante minha viagem a Viena nos encontramos por lá :), me dei super bem também com a italiana e com a francesa. A canadense era SUPER legal também, mas apesar de ser nativa (óbvio) tinha um inglês muito feio e grosseiro. Ah, como eu acho lindo o sotaque britânico! 🙂

E pra quem me pergunta: Vale a pena ir e ficar apenas duas semanas? A resposta é PRECISA RESPONDER? 🙂 Eu fiz e faria de novo, mas da próxima vez em um outro país, quem quiser me doar uns dólares australianos, saiba que tenho interesse pelo país dos cangurus. Duas semanas realmente é pouco, mas se você já tem uma boa base, será muito válido. Talvez se você tiver um nível muito básico não aproveite o potencial de um intercâmbio, então recomendo que estude só um pouquinho mais antes de meter a cara.

E outra, se você tem um inglês avançado e acha que não precisa de intercâmbio, ledo engano. Vi pessoas que tinham nível avançado no Brasil que em Dublin não era tão avançado assim… (…)

E uma outra pergunta que também me fazem: “Tem muito brasileiro em Dublin?” Pergunta recorrente, mas que sempre deixa qualquer intercambista intrigado. Tem muito brasileiro? Tem. Assim como tem muito italiano, muito francês, muito asiático. Vai de você saber escolher com quem quer conversar. Em uma ocasião fui para uma festa e conheci umas brasileiras e de cara elas se impressionaram com a minha roda de amigos (belga, suíço, japonês, italiano, turco, etc) e perguntou onde eu estudava, porque na escola dela SÓ tinha brasileiro (100% da sala!). E pouco depois eu vi que ela estava cercada de brazucas e obviamente falando português… não tenho nada contra o português, gente, acho o português uma língua linda. Mas do MEU ponto de vista, atrapalharia meu aprendizado. Então por favor, se você está indo pra Dublin REALMENTE pra estudar e não somente pra farrear, escolha uma BOA escola, que naturalmente será mais cara que as demais. Tive ótimas recomendações da minha e ela superou todas as minhas expectativas. Ouvi muita gente dizendo inclusive, que a CES é a melhor escola de inglês de Dublin.

Pra quem tem interesse na CES School e não tanto interesse por Dublin, ela está também em Oxford, Londres, Leeds e Worthing. Outra coisa interessante que achei da escola é que eles fazem programações diárias na parte da tarde,  geralmente gratuitos, para quem não está matriculado no período da tarde. Eu cheguei a ir em dois desses passeios: visita guiada a pé pelo centro de Dublin, e fui também visitar Howth, ao norte da ilha. Mas nos próximos posts falarei um pouco sobre turismo e as atrações que visitei na Irlanda.

E vocês? Ainda têm dúvidas se fazer intercâmbio vale a pena?? 🙂

Um beijo!