O que você precisa saber antes de visitar Istambul

Já tem um tempo que eu tinha vontade de conhecer Istambul, mas confesso que o desejo aumentou após um curso de História da Arte que fiz, que abriu meus olhos pro quão interessante é a cidade em termos artísticos e culturais.

Meu roteiro pode parecer meio incoerente, haja vista que eu estava na Suíça e não é nada perto de Istambul (aproximadamente 3h de voo), mas com planejamento antecipado consegui montar o roteiro que eu queria e de maneira mais econômica, mesmo sendo altíssima temporada.

Indo mais na contramão ainda decidi que gostaria de passar o réveillon em Istambul. Por mais lindo que seja o réveillon no Rio de Janeiro, confesso que não faz minha cabeça e sempre que eu puder, irei optar por viajar nessa época, preferencialmente pra um destino mais frio. 🙂

Vou reunir aqui no post assuntos e curiosidades sobre Istambul que eu gostaria de ter lido ao planejar minha viagem. Espero que seja útil a vocês!

Como o atentado terrorista mais recente na cidade turca foi justamente no réveillon, o primeiro ponto que vou abordar é sobre a:

  • Segurança

Quem acompanha os noticiários deve saber que nos últimos anos a Turquia foi alvo de vários atentados reivindicados pelo Estado Islâmico. O último grande atentado ocorreu na noite do réveillon 2017, quando um atirador do Estado Islâmico matou 39 pessoas numa boate.

Entretanto – graças a Deus – quando eu estava lá não vi nada demais, mas vi muito policiamento, tanto de dia quanto à noite, em carros fortes como o “caveirao” do Rio de Janeiro. Eu havia lido que com os atentados recentes o aumento da fiscalização policial aumentou e, por causa da diminuição no número de visitantes, os preços na cidade como um todo caíram, o que vejo que pode ser verdade.

Istambul, tirando a região de onde partem os barcos (Eminönü), achei bem menos lotada que as demais cidade da Europa que já visitei na mesma época. Ainda assim, continua sendo uma das mais visitadas do mundo, figurando no 11° lugar do ranking mundial. Como toda grande cidade, é de bom senso ter cuidado com os pertences em áreas muito movimentadas ou em transporte público, porém, que fique claro que andei todo momento com minhas câmeras e celular e não me senti ameaçada em momento algum.

  • Visto

Brasileiros não precisam de visto pra entrar no país. Vejam abaixo a lista de países que precisam:

Países que precisam de visto para entrar na Turquia

Países que precisam de visto para entrar na Turquia

  • Moeda

A moeda oficial do país é a lira turca (TRY), sendo um pouquinho desvalorizada em relação ao real. Na cotação atual, 18 de janeiro de 2018, R$ 1 vale TRY 1,1793. 

Por ser uma moeda incomum de encontrar no Brasil, a sugestão é trocar euros ainda no Brasil e no destino cambiar para a moeda local. Caso tenha dólares americanos, também é uma opção, apesar do euro apresentar cotação mais favorável.

Alguns restaurantes, hotéis e agências de turismo aceitam o pagamento direto em euros. Sugiro que troque no aeroporto apenas o suficiente pra pagar o metrô ou táxi na chegada à cidade e o restante em uma das dezenas de casas de câmbio da região de Hoca Pasa Mahallesi (em algum momento você vai passar lá). Nessa rua há um comércio muito forte e muitas casas de câmbio que não cobram comissão.

Pela comodidade e também pela cotação razoável, acabei fazendo câmbio no hotel onde estava hospedada. Verifique se seu hotel oferece o serviço.

  • Aeroporto

Há dois aeroportos na cidade, um no lado europeu (maior, mais perto e mais utilizado) e outro no lado asiático, menor, mais longe e menos utilizado.

Na minha viagem conheci os dois. Desembarquei no Atatürk (o europeu), que fica a aproximadamente 20 km do centro histórico. Mesmo sendo ligado à cidade por metrô, não é ligado diretamente ao Centro histórico, sendo necessário fazer uma troca.

Como eu estava com malas e estava chovendo, descartei essa possibilidade e fui de táxi, que peguei logo no desembarque. E aí começou o martírio rs. Entramos no táxi com um taxista que não falava muito inglês, e ele simplesmente não ligou o taxímetro. Fiquei muito preocupada e com receio de quanto ele iria cobrar pela corrida, mas eu já tinha uma ideia do preço pois havia perguntado no balcão de informações ao turista, ainda no aeroporto. O preço informado foi de TRY65-70, o que de fato me foi cobrado ao término da corrida. Que fique a lição que tivemos sorte! Ele poderia ter cobrado mais e então teríamos tido uma baita dor de cabeça. Atente pra isso e exija sempre que liguem o taxímetro antes de iniciar qualquer corrida. Aponte, faça mímica, mas exija!

Voltei pelo outro aeroporto, o Sabiha Gökçen, que fica do lado asiático e a aproximadamente 40km de onde estávamos hospedados (Sultanahmet). Pra esse aeroporto não há ligação por transporte público, apenas táxis e shuttles particulares em vans. Na ocasião, por comodidade, acabei reservando meu shuttle direto no hotel, que cuidou do agendamento e nos cobrou TRY12 por pessoa. Entretanto vi várias agências em Sultanahmet oferecerem o mesmo serviço por 10 liras turcas.

Precisa dizer que não pode embarcar armado????? (alguém pensou que não)

Precisa dizer que não pode embarcar armado????? (alguém pensou que não)

Atenção: GUARDE com você a confirmação do transfer e apresente ao motorista da van. Digo isso porque entramos em uma van que chegou no mesmo horário que tínhamos agendado, guardamos as malas e quando o motorista já ia partir mesmo sem ele ter solicitado – eu apresentei a confirmação da reserva e ele viu que não era aquela van que eu deveria estar, pois aquela iria pro outro aeroporto. Já pensou que confusão grande se eu tivesse chegado no aeroporto errado??

Achei o serviço bem desorganizado. Meu marido quando entrou na van viu que não havia assento pra ele sentar, reclamou com o motorista e o motorista mandou uma criança sentar no colo do pai, mesmo o pai tendo pagado pra criança ir sentada. Assim é Istambul. Lembre-se de que provavelmente será a cidade europeia menos europeia que você pode conhecer. Não desanime, é encantadora mesmo assim.

No entanto, sugiro que evite ao máximo o aeroporto asiático, não apenas pelo transporte ser mais difícil, mas também por conta da distância e trânsito. Há quem passe mais de 2h pra percorrer esses 40 km. Como viajei de manhã bem cedo, consegui escapar disso, já que o tráfego fluía muito bem e consegui chegar em aproximadamente 40 minutos.

Li em vários blogs sobre um ônibus chamado Havatas, que faz o percurso para ambos os aeroportos por um preço mais em conta que táxi, mas confesso que como estávamos com malas e viajaríamos cedo, nem cogitei essa possibilidade, pois o ônibus obviamente não me buscaria no hotel. Para informações atualizadas sobre o ônibus, sugiro que clique no link acima.

  • Transporte público

Apesar de eu ter me hospedado em Sultanahmet, utilizei várias vezes o transporte público. Incluo aqui o uso do metrô, tram, ônibus, funicular e barco. A cidade é visivelmente caótica em termos de trânsito, então quanto mais bem localizado for seu hotel, menos estresse você vai ter durante sua estadia.

Como as atrações não são todas no centro histórico, em algum momento você irá utilizar algum transporte. O ônibus é sempre cheio e curiosamente nem sempre para no ponto, se estiver trânsito e ele estiver na faixa do meio provavelmente será preciso que você vá até o ônibus kkk.

No ônibus por um instante até me senti no Brasil. Motorista visivelmente mal educado e impaciente, começou a brigar com os passageiros e sabe Deus o que os passageiros estavam dizendo pra ele. Eu, que não entendia nada, só olhava pro meu marido e ria…kkk.

Tentei usar Uber, apesar de ter lido em vários lugares que não funciona direito. Conclusão: fiquei meia hora esperando o motorista e ele não apareceu. Depois dessa experiência, não tentei mais, pois percebi que é mesmo zoado.

O tram foi o mais legal de usar, apesar de ter visto lotado várias vezes. Há muitos trams na região de Sultanahmet.

O barco também foi tranquilo, utilizei pra atravessar pro lado asiático. Foi um pouco complicado apenas comprar a passagem em Eminönü, pois não há muitos funcionários pra ajudar e como é um lugar extremamente muvucado, não sabemos muito bem pra onde ir ou qual bilhete comprar. No lado europeu ainda haviam uns poucos funcionários e nos ajudaram, no lado asiático não havia funcionário nenhum – sugiro que pesquise antes qual bilhete comprar.

Usei o metrô uma vez e foi tranquilo. Organizado, guichês de atendimento em inglês e nada muito diferente do que estamos acostumados.

O funicular utilizei pra chegar na região da Torre de Gálata, que fica no alto. Comprei o bilhete na hora (também autoatendimento) e foi tranquilo.

Metrô em Istambul

Metrô em Istambul

  • Quanto levar

Como sempre digo, isso é algo pessoal e que varia com o estilo do viajante, mas gosto sempre de falar pra ajudar o leitor a ter pelo menos uma ideia. Em minha viagem pra Istambul separei 45 euros por pessoa/por dia, mas daria pra ter sido menos, pois sobrou. A cidade tem preços interessantes e fui cambiando aos poucos, à medida que usava. Eu arriscaria dizer que com 35 euros por pessoa/por dia você consegue se locomover, comer bem e passear. Só não pode abusar da cerveja, que é algo bem caro na Turquia. Souvenirs são absurdamente baratos e você encontra coisas super legais por apenas 1 lira. Pra quem tava voltando de uma viagem pela Suíça, me senti a esposa do Sultão… kkk.

  • Gorjeta

Apesar da gorjeta não ser obrigatória, caso você seja bem atendido pode deixar 10%. Nos estabelecimentos que fui bem atendida deixei, nos que fui mais ou menos não deixei, mas não me senti pressionada por isso em momento algum. Achei tudo bem flexível.

  • Idioma

O idioma oficial da cidade é o indecifrável turco, mas se você fala inglês não terá a menor dificuldade. No burburinho turístico você consegue se comunicar muito bem em inglês, exceto no lado asiático da cidade, que não é turístico. Na ocasião fomos pra lá e tivemos que nos comunicar à base de mímica, mas o importante é que deu tudo certo. 🙂

  • Religião

Apesar da Turquia ser teoricamente um Estado laico, isso fica apenas na teoria, já que aproximadamente 85% da população é muçulmana. O fato da maioria da população ser muçulmana muda tudo em relação ao local: costumes, crenças, vestimentas… você sentirá isso ao colocar os pés no aeroporto.

Apesar de serem muçulmanos, não achei eles tão conservadores como imagino que seja em outros países. Usei minhas roupas normalmente e precisei cobrir a cabeça apenas pra entrar nas mesquitas. Vale lembrar que viajei no inverno, então naturalmente eu já estava toda empacotada. No verão, mesmo que esteja um calor ferrado, não é apropriado andar com vestimentas ousadas demais. Pra entrar nas mesquitas sempre haverá um controle rígido: é necessário tirar os sapatos, nada de ombro de fora, pernas de fora e cabelo aparecendo. Bom senso é tudo e precisamos respeitar os costumes alheios.

Curiosidades sobre Istambul

Curiosidades sobre Istambul

OBS: Você não precisa comprar roupa pra visitar as mesquitas. Caso não tenha um lenço ou echarpe, eles disponibilizam pra você algo semelhante no local.

No lado asiático, mais conservador e sem muitos turistas, é de bom senso cobrir a cabeça, mesmo que não haja uma regra pra isso. Na travessia de barco pelo que pude notar eu era provavelmente a única turista, então cobri a cabeça pra me sentir mais “enquadrada”. Curiosamente as pessoas me cumprimentavam em turco sempre que eu cobria a cabeça… kkk.

Curiosidades sobre Istambul: Sabia que lá tem muito cachorro de rua? E são muito fofos! (tem gato também!)

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  • Clima/Quando ir

Em Istambul faz muito frio e também muito calor. No inverno, época que fui, a temperatura não passou dos 8 graus, mas também não fez frio rigoroso em dia nenhum – vale lembrar que eu estava voltando de um inverno na Suíça com temperaturas negativas, sendo então minha comparação. No verão a temperatura se aproxima dos 30 graus e é uma boa pedida pra esticar e conhecer as belas praias turcas. 🙂

Quando estive na cidade peguei alguns dias de chuva e tempo cinza, consequência do inverno. Caso queira minimizar esse risco opte por estações como primavera ou outono, com temperaturas mais amenas e céu mais limpo. Além do frio, senti que a cidade venta muito, o que agravou a situação…rs.

 

Esses são os pontos que julgo mais importantes de saber ao planejar uma viagem a Istambul. Em breve vou fazer outro post abordando as atrações que visitei e contando minhas experiências gastronômicas. 🙂

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