Lisboa

Fado em Lisboa

Ir pra Portugal e não ouvir fado é a mesma coisa que ir para o Brasil e não ouvir samba. O fado é um estilo musical português cantado geralmente por uma só pessoa com outras complementando com a guitarra clássica e a guitarra portuguesa. É um estilo melancólico de música, que exalta o sofrimento, a saudade, o destino e claro, o amor.

Fui conhecer o Caldo Verde por sugestão de uma amiga que mora em Portugal e encontrar o local não foi tão fácil pelo simples motivo: existem dois na cidade, sendo que um é apenas restaurante. Tive a sorte de conhecer os dois, e mesmo tendo ido por engano da primeira vez, o restaurante Caldo Verde é excelente. Mas não vou me ater a falar sobre ele nesse post (afinal, nele não tem fado).

Para chegar ao Caldo Verde (Casa de fado) cheguei por baixo, o que me obrigou a subir milhares de degraus para chegar até o Bairro Alto. Logo ao chegar não tinha ninguém, então esperamos tranquilamente conversando e comendo.

O local oferece duas opções: se jantar não paga couvert, se não jantar paga-se 10€ para assistir o show. Sinceramente recomendo que jantem, pois além de não ser caro a comida é boa. Pedi um salmão grelhado que estava excelente, para beber, vinho, claro.

Comida do Caldo Verde - Casa de Fado

Comida do Caldo Verde – Casa de Fado

Comida do Caldo Verde - Casa de Fado

Comida do Caldo Verde – Casa de Fado

O atendimento não foi a oitava maravilha do mundo, e tivemos um contratempo com o garçom que nos atendeu. Porém, o proprietário resolveu nosso problema e OK.

Os músicos compensaram o contratempo. Eles revezavam entre si fazendo um intervalo de 20 minutos com música e 20 minutos sem, pois é quando podemos comer. Muita atenção quando for assistir um show de fado: é de extrema falta de educação conversar durante o espetáculo e também comer. Se não quiser fazer feio, espere o intervalinho pra isso.

Show de fado

Show de fado

A cantora até pousou pra minha foto! hehe

A cantora até pousou pra minha foto! hehe

Horário: Todos os dias, das 20h às 24h.

Endereço: Trav. Poço da Cidade, 40, Lisboa.

10 coisas imperdíveis para fazer em Lisboa

Toda vez que vou escrever um post sobre determinada cidade que tem muitas atrações fico enrolando muito. Fiz essa viagem em dezembro e agora – abril – que estou escrevendo sobre o local. E falar de Lisboa não é falar de qualquer lugar, é falar de encontrar a nossa cultura em um país alheio. Um país que há muitos anos nos colonizou e que foi o principal responsável por definir basicamente o que é o Brasil. Pra começar, o idioma é o mesmo, apesar dos sotaques bem diferentes e algumas palavrinhas mínimas. A história se encontra com bastante frequência: ao conhecer a história de Portugal encontramos variadas vezes temas relacionados ao Brasil. Muitos brasileiros ainda tem descendência de portugueses – eu inclusive. E a comida? hum… não é difícil ouvir de brasileiros que a comida preferida na Europa é a portuguesa, por que será? E o que falar do café?

Lisboa é a capital desse pequeno país e a cidade mais importante também. Apesar desse difícil desafio, vou contar pra vocês um pouco das 10 coisas que mais gostei de fazer na cidade natal de Fernando Pessoa. Vamos lá!

1 – Padrão dos Descobrimentos

Localizado às margens do Tejo, esse monumento evoca a expansão marítima portuguesa, faz alusão a um passado glorioso e à grandeza da obra do Infante D. Henrique, o impulsionador das descobertas de Cabo Verde e Ilha da Madeira. Diversos personagens escultóricos que tiveram a ver com os grandes descobrimentos  da história portuguesa completam o monumento.

Monumento dos Descobrimentos: Camões ao centro, carregando "Os Lusíadas"

Monumento dos Descobrimentos: Camões ao centro, carregando “Os Lusíadas”

Rosa-dos-ventos: Olha o Brasil aí!

Rosa-dos-ventos: Olha o Brasil aí!

2 – Igreja de Santo Antônio

Popularmente conhecido como o “Santo casamenteiro” esse santo, nascido no século XII em Lisboa, realizou inúmeras obras de caridade e sermões que marcaram. Aos curiosos, Santo Antônio de Lisboa e Santo Antônio de Pádua tratam-se da mesma pessoa, sendo um o local em que nasceu e o outro em que morreu.

Visitei o local em que nasceu e viveu sua infância, junto à Sé de Lisboa. Descendo à cripta da igreja está o local de nascimento e pode-se ver um dos ossos do Santo. Manda a tradição que os jovens que querem  casar, no dia do casamento visitem a igreja, rezem e deixem flores ao Santo, que é intercessor dos recém-casados. Dica: Aos mais interessados na vida de Santo Antônio, ao lado da igreja encontra-se o Museu Antoniano, local da residência dos pais dele. OBS: A visita à igreja é gratuita.

Santo Antônio de Lisboa

Santo Antônio de Lisboa

Igreja de Santo Antônio

Igreja de Santo Antônio

Santo Antônio

Santo Antônio

O local onde nasceu Santo Antônio

O local onde nasceu Santo Antônio

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3 – Sé de Lisboa

Já que está ali do ladinho, emende o passeio para a Catedral da Sé. Essa igreja, a mais antiga e importante da cidade, sobreviveu de maneira exemplar a vários terremotos desde sua construção no século XII. Possui estilo românico e particularmente achei um pouco assombrosa, com baixa iluminação em seu interior. OBS: Entrada gratuita.

Sé de Lisboa

Sé de Lisboa

Interior da Sé

Interior da Sé

4 – Visitar o Castelo de São Jorge

Um dos lugares mais visitados do país, o Castelo de São Jorge foi construído no século V pelos visigodos. Desde sua criação até a atualidade passou por restaurações que ainda deixaram muitas marcas do passado. Foi residência dos reis de Portugal desde meados do século XIII até o começo do século XVI, época de maior esplendor do Castelo.

Preço: Ingresso normal 8,50€. Atenção se estiver viajando em família, existe um ingresso chamado “família” que custa 20€ e pode ser usado por quem viaja em 2 adultos e 2 crianças (<18 anos).

Dica: Calce um sapato bastante confortável, pois a subida até o Castelo é bastante íngreme e com piso em pedras.

Castelo de São Jorge

Castelo de São Jorge

Castelo de São Jorge

Castelo de São Jorge

Castelo de São Jorge

Castelo de São Jorge

Vista do alto do Castelo de São Jorge

Vista do alto do Castelo de São Jorge

Perdoem a mamãe gente... ela cansou! rsrs

Perdoem a mamãe gente… ela cansou! rsrs

5 – Praça do Comércio

Coração e centro histórico da cidade, essa praça também conhecida como Terreiro do Paço é a mais importante de Lisboa. Historicamente ali chegavam os barcos mercantes e era a porta de entrada para a cidade. Destaque para o arco triunfal da Rua Augusta, que foi construído para celebrar a reconstrução de Lisboa após o forte terremoto de 1755. Alguns personagens ilustres estão no arco: Marquês de Pombal e Vasco da Gama.

Diversos acontecimentos históricos aconteceram ali: o desabamento do palácio real que ali existia, o assassinato do Rei D. Carlos e seu filho, e a proclamação da República em 1910.

Atualmente é considerada uma das maiores praças da Europa e é ocupada por departamentos governamentais.

Amores da vida da autora. Bjs.

Amores da vida da autora. Bjs.

Arco do Triunfo visto da Praça do Comércio

Arco do Triunfo visto da Praça do Comércio

Arco do Triunfo visto da Rua Augusta

Arco do Triunfo visto da Rua Augusta

Detalhes...

Detalhes…

6 – Mosteiro dos Jerônimos

Obra-prima da arquitetura portuguesa do século XVI, o local foi construído para celebrar o regresso de Vasco da Gama da Índia. Como curiosidade, a localização do mosteiro foi escolhida por ser o local da igreja em que Vasco da Gama e sua tripulação passaram um tempo rezando antes de iniciar sua viagem. Sua localização é bem favorecida para o turismo, pois está bem próximo da Torre de Belém, Pastel de Belém, Monumento dos Descobrimentos e Rio Tejo.

No interior da igreja do Mosteiro está a tumba de Luís de Camões e Vasco da Gama. Entrada gratuita na igreja. Se quiser visitar o Claustro, onde está a tumba de Fernando Pessoa, paga-se 10€.

Minha mãe modelando no Mosteiro dos Jerônimos!

Minha mãe modelando no Mosteiro dos Jerônimos!

Mosteiro dos Jerônimos

Mosteiro dos Jerônimos

Valeu a tentativa de uma foto boa!

Valeu a tentativa de uma foto boa!

Sob a tumba de Camões...

Sob a tumba de Camões…

Tumba de Camões

Tumba de Camões

7 – Torre de Belém

Assim como o Mosteiro dos Jerônimos, é uma torre de estilo manuelino, que nada mais é do que uma variação do gótico. Construída a partir de 1515, serviu para a defesa da cidade e depois transformou-se em centro aduaneiro e farol.

Localizada às margens do Tejo, é possível subir os cinco andares da Torre para ascender ao terraço e ter uma bela vista de Belém e outros pontos como o Monumento dos Descobrimentos. A subida é feita através de uma pequena escada caracol e se você tem dificuldades com isso, melhor não arriscar (mamãe tem preguiça e não subiu).

Os andares dividem-se em Sala do Governador, Sala dos Reis, Sala de Audiências, Capela e Terraço. Preço da visita: 6€. Dica: Se quiser comprar ingresso combinado, paga-se 12 € para visitar o Mosteiro dos Jerónimos e a  Torre.

Do capítulo "Torre de Belém e o amor"

Do capítulo “Torre de Belém e o amor”

Uma das vistas da Torre de Belém

Uma das vistas da Torre de Belém

Oi! Um beijo pra quem adorou a viagem!

Oi! Um beijo pra quem adorou a viagem!

8 – Comer o verdadeiro Pastel de Belém

Como diz uma amiga portuguesa, pastel de Belém você vai comer em Belém. Até perguntei a ela se Belém do Pará servia, ela riu e disse que sim, ok?. O que comemos por aí chama-se na verdade pastel de nata. Parada obrigatória na cidade se você é amante do doce, visitar essa pastelaria é mergulhar na tradição portuguesa que é mantida ao longo de tantos anos sem perder a qualidade. Na verdade eu não comi o doce em 1837, então não posso comparar a qualidade. Mas posso dizer com toda propriedade que  realmente eu nunca comi nenhum igual e o local merece o mérito que possui. 🙂

Faça chuva ou faça sol, o local sempre estará lotado de portugueses e turistas que disputam a tapas um lugarzinho na fila – e olha que o lugar é bem grande! É possível ver um pouco da produção dos pastéis através de uma janela de vidro. 🙂

O famoso pastel diferencia-se dos demais não somente na qualidade como também no preço. Nessa ocasião estávamos com um amigo português passeando e ele disse ser um pastel caro. Fiquei um pouco impressionada como nós – brasileiros – estamos tão acostumados a pagar caro por tudo que nem sentimos tanto. Caro ou barato, não deixe de ir e de pedir um montão. Aberto todos os dias.

História do Pastel de Belém | Fonte: Site oficial

História do Pastel de Belém | Fonte: Site oficial

Fila

Fila

Opa!

Opa!

Decoração

Decoração

Produção do pastel

Produção do pastel

Resultado (na minha mesa, é claro)

Resultado (na minha mesa, é claro)

9 – Perder-se no Alfama

Esse charmoso bairro abriga o Castelo de São Jorge, então se você sair do Castelo caminhando possivelmente irá passear pelo antigo bairro de pescadores. Possui alguns mirantes, mas o mais famoso sem dúvidas é o do Castelo de São Jorge.

Muitas escadinhas, ladeiras, ruelas serpenteantes, chão de paralelepípedo e labirintos definem o local. Roupas penduradas no varal quase voando também. E como esquecer dos vizinhos que batem papo na calçada estreita que as ruas possuem? Ruas tão estreitas que muitas vezes nem um carro passa…

Impossível não lembrar da minha cidade natal e de um bairro chamado “Cidade Velha”, que tem por lá. Curiosamente foi o bairro onde Castelo Branco desembarcou quando chegou à minha Belém do Pará. Quase 1 ano fora do Brasil nessa hora confesso que a saudade bateu forte.

Essa foto define...

Essa foto define…

Só eu sou completamente apaixonada por esses azulejos?

Só eu sou completamente apaixonada por esses azulejos?

Ruelas de Alfama

Ruelas de Alfama

Prima, sobe aqui rapidinho!

Prima, sobe aqui rapidinho!

Não deixe de passar pela Fundação José Saramago, que fica descendo o bairro da Alfama, no caminho para quem vai para a Praça do Comércio.

Fundação José Saramago

Fundação José Saramago

10 – Dar uma voltinha no bonde elétrico 28

Vocês só vão entender a magnitude das ladeiras de Lisboa quando andarem no elétrico. Peguei o número 28 (1,80€), um dos clássicos amarelinhos com o interior de madeira. Com ele percorri os bairros históricos, partindo da Praça Martim Moniz. O elétrico sobe sacudindo sob as ladeiras de Alfama, atravessa a Baixa, o Chiado e chega em Campo de Ourique, pertinho da casa onde morou Fernando Pessoa.

Ao longo de todo o percurso preste atenção à arquitetura dos edifícios, os lindos azulejos das fachadas e, claro, o fato de “como é possível uma cidade com tanta ladeira, minha gente?”.

Bonde elétrico de Lisboa

Bonde elétrico de Lisboa

E ao voltar descemos tudo de novo, com destino ao hotel… pra fechar essa sessão de fotos, mais uma:

Amor, sobe aqui!

Amor, sobe aqui!

Vi outras coisas em Lisboa mas resolvi destacar as que mais gostei nesse post. Tem uma outra atração bem especial que vou falar no próximo. Até lá!

Beijos!